TROCA DE FUSO

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Também disponível em PDF através do menu principal em G2 (2015) -> COMENTÁRIOS -> ESTRATÉGIAS -> TROCA DE FUSO

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TROCA DE FUSO

Depois que eu voltei do hospital (onde operei minha perna espatifada), passei por maus bocados. Fobias doidas, aparelho digestivo descontrolado… Mas sempre acordava de manhã bem: disposto, alegre e louco por um rico cafezinho. Mas antes de tomá-lo, eu era um zumbi androide. Só pronunciava “Bip bip, bop bop”. Feito aqueles androides do filme Blade Runner.

Quando eu começa a sentir o cheirinho do café, eu começava a sorrir. Aí, eu mudava a minha fala para “Paz e amor, bicho”. A partir daí, começava a cair ideias ultra criativas. Eu só anotava a suas palavras chaves para, só depois que eu completasse a transformação para gente, refinar.

Fiz isso bastante tempo. Até que começou a diminuir a chuva de ideias. Aí, resolvi não tomar café por um dia. Nesse dia, eu não passava da fase zumbi. Quando meu cérebro pedia um cafezinho (ou qualquer coisa cafeinada), eu negava. Ele soltava fumaça, mas eu resolvi (na última hora) surpreendê-lo assim. Tipo uma criança pedindo um docinho e recebendo um “não”.

O meu cérebro ficava brabo e saia dando pontapé em tudo. Os limites desses pontapés eram determinados pela minha razão, que se manifestava passivamente só em segundo plano.

Para a minha surpresa, no dia seguinte voltou a chover ideias.

Depois de agir assim algumas vezes, eu resolvi aumentar aos pouquinhos esses desafios. Para continuar surpreendendo o meu cérebro, eu decidia na última hora variar a variação.

Por exemplo, se o número de ideias estava diminuindo, além de tirar o café, eu trocava a hora de dormir. Bom, sem ganhar o rico cafezinho e dormindo fora de horário, o meu cérebro endoidava mais ainda.

À medida que eu fui aumentando essas surprezas, as ideias começaram a ficar menores até caberem na cache, o que as deixam para o inconsciente reforçá-las. Essa progressão deixou as ideias bem mais fortes que antes.

Hoje, apesar de continuarem confusas, pelo menos eu tenho a certeza de que ideias posteriores possuirão uma força proporcional. Agora, com a troca de fuso, o confuso ficou só “con”, pois o “fuso” já tá tranquilo.

Paulo Ricardo Silveira Trainini


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