PERCEPÇÕES

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Uma coisa óbvia, mas que quase todas as cafeterias negligenciam, é que, uma vez que o cheirinho do café passando, bem como o visual, agrega um valor alto na apreciação do café, proporcionar isso ao cliente agrada-o, mesmo se o gosto não corresponder às expectativas.

O que isso tem a ver com os neurônios? Resposta: percepção. Em geral, obviedades como essa passam desapercebidas. Só podem ser percebidas depois de enfrentar uma situação crítica. Mas não no contexto de enfrentamento dessa situação e sim depois. Na hora da situação crítica, não se percebe nada, só se presta atenção no tratamento adequado da situação. Estranhamente, o tratamento adequado dessas situações críticas estimula futuras percepções.

Mas essas percepções raramente estão logicamente relacionadas com as situações críticas que as estimularam. As situações críticas funcionam no cérebro apenas como estímulo, não como uma conexão para essas percepções.

Tanto a preparação do café quanto a percepção dessa obviedade pode ser comandada pelo mesmo cérebro, mas em contextos diferentes.

Apesar desses estímulos não terem, aparentemente, nenhum tipo de conexão lógica com o percebido, precisam manter algum tipo de comunicação. Há vários anos, eu resolvo isso através de rápidos relatos pessoais que faço durante as situações críticas e rapidamente os esqueço. Esses relatos contêm apenas palavras-chaves sem nenhum tipo de significado racional. E só as decifro depois, quando eu estiver tranquilo.

Dessa forma, essas palavras-chaves podem trafegar livremente pelo cérebro sem serem compreendidas pela razão. Se a razão conseguir decifrá-las, viram lixo.

DICA: no enfrentamento de uma situação crítica, investe na tua tranquilidade futura. Ignora os desagrados presentes.

Paulo Ricardo Silveira Trainini