BANDEJA

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BANDEJA

Pra mim, evitar a degradação de um sistema de computador, por menor que seja, faz parte da segurança da informação. Pois, se essa degradação crescer ao ponto de inutilizar por completo um sistema, será a mesma coisa que derrubá-lo ou travá-lo. E isso sim, pode ser um ataque de um hacker.

Pelo fato da minha vida acadêmica e profissional ter sido focada em redes de computadores, não em segurança da informação, não sei dizer se essa minha afirmação está absolutamente correta. Bom, pra mim é lei.

Em ataques mais refinados, o hacker derruba ou trava o sistema antes de invadi-lo e fazer o que quer. Ele faz isso para não deixar o sistema registrar seus comandos, o que permitiria o rastreamento do seu ataque.

Muitas vezes, o hacker lança mão de um vírus cavalo de Tróia para descobrir senhas de usuários comuns (com permissões limitadas) sem que esses percebam. Então, de posse dessas senhas, ele dispara tantas solicitações comuns que degradam tanto o sistema ao ponto de travar tudo. Aí, o hacker começa a invasão e faz o que quer sem se esforçar muito.

O nome dessa classe de vírus, cavalo de Tróia, foi dado porque a sua forma de ação é semelhante ao fato histórico.

Basicamente, os vírus do tipo cavalo de Tróia apresentam uma tela igual a do sistema original solicitando uma senha. Aí, o usuário digita a senha e o vírus envia a senha para o hacker, não para o sistema. Depois, ele faz o sistema assumir a solicitação da senha, refazendo-a normalmente. O usuário pensa que digitou a senha errada e a digita novamente sem perceber a ação do vírus.

Se quiseres saber mais sobre o seu funcionamento, procura em algum site de pesquisa por “vírus cavalo de Tróia”. Dificilmente uma pessoa ansiosa suspeita da presença desse tipo de vírus.

Imagina que os pontos mais periféricos dessa figura acima correspondam à neurônios conscientes informando uma senha para satisfazerem as suas vontades. E os pontos internos, os neurônios conscientes de hackers.

Quanto mais reduzida é amplitude do meu foco, mais os meus neurônios conscientes pensam como hackers. Basta eles perceberem o rumo dos neurônios mais periféricos para perceber a solução de algo. Quanto menos reduzida é a amplitude do meu foco, mais eu penso como um primata, repetindo os mesmos erros.

Muitas vezes, eu percebo como resolver problemas graves antes mesmo de descobrir a causa. Essa percepção do rumo das informações me entrega de bandeja essas soluções. Essa bandeja está intimamente ligada com o comportamento manada, muito estudado em publicidade.

OBS: Quando o meu cérebro percebe a solução de coisas desse tipo, eu sinto a claramente a presença dessa percepção, bem antes que ela fique consciente.

Paulo Ricardo Silveira Trainini


SALSICHA

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SALSICHA

O desenvolvimento do cérebro é um jogo entre o consciente e o inconsciente. Toda a aquisição de conhecimento entra pela consciência antes de ir para o seu destino final: o inconsciente. O inconsciente é infinitas vezes maior que o consciente, que se sustenta no inconsciente.

O conhecimento só fortifica o cérebro se for bem tratado pelo consciente antes de ir para o inconsciente. Do contrário, a probabilidade que esse conhecimento cause algum problema é altíssima.

Fortificar o cérebro é gravar no inconsciente só a informação útil e livrar-se de todo o resto. Mas antes de livrar-se desse resto, transformar esse resto em salsicha. Vai que caia em mãos suspeitas…

Quanto mais cresce a nossa dependência a um smartphone, maior fica a sua semelhança com uma tornozeleira eletrônica utilizada por um prisioneiro no controle da localização de quem a utiliza. Porém, o smartphone supera muitas vezes a tornozeleira eletrônica na função de difusão dessa informação entre pessoas suspeitas…

O principal meio dessa difusão é o compartilhamento da informação com destinatários desconhecidos. Já, uma tornozeleira eletrônica utilizada por um prisioneiro só informa a sua localização para quem a controla, que não compartilha essa informação com ninguém que não tenha autorização.

Não adianta ter dois smartphones para fugir desse problema. Pois, se o sistema que controla a sua localização detectar que um está parado muito tempo, localiza o possuidor pelo outro. Portanto, a solução para livrar-se desse problema não é comprar outro smartphone. Mas sim, libertar-se da sua dependência.

Imagina que um smartphone corresponda a um cérebro. Apesar de já ter percebido que essa correspondência é enorme, ela possui pelo menos uma diferença: o cérebro é contaminado por uma energia espiritual ultra potente, totalmente ausente em sistemas digitais, como um smartphone. Mas cuidado, espiritualidade não é religiosidade.

A minha espiritualidade é fortíssima, mas não acredito em absolutamente nenhuma entidade. Nada é pra sempre, inclusive entidades. Não autorizo nenhuma religião invadir esse post.

Imagina que o cérebro é um colar com infinitos elos. O consciente está em apenas um dos elos. Ele pula de elo em elo feito um macaco.

Se deixares entidades controlarem esse macaco, o colar se transformará em tornozeleira eletrônica.

Paulo Ricardo Silveira Trainini


DEFESA

Informação infinita é igual à conhecimento zero

 

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DEFESA

 

Eu só consigo raciocinar direito quando a minha consciência está confinada e armazena pouca informação, bem menos que o seu limite. Quando isso acontece, apesar da minha atenção ficar bem restrita em espaço e tempo, minha visão fica bem mais nítida e eu consigo decidir mais rápido. Essa visão é como usar óculos pra perto. Se isso significa déficit de atenção, eu tenho déficit de atenção.

Sem esse confinamento, rapidamente o meu pensamento fica confuso. Antes, esse déficit de atenção significava fracasso. Mas hoje, esse meu fracasso se transformou em sucesso. Agradeço aos céus por ter sido um fracassado. Pois, foi o fracasso que me fez descobrir o sucesso.

O meu principal artifício pra fazer essa transformação é: não interagir com ninguém antes de concluir esse confinamento. Só se comunicar através de troca de mensagens assíncronas. Nessa hora, eu pareço um robô.

Quando a minha memória consciente tenta armazenar uma quantidade de informação maior que a sua capacidade (overflow), eu me sinto angustiado, mal-humorado, intolerante, impaciente e, por vezes, furioso. Hoje, apesar de continuar assim, é muito mais difícil eu chegar nesse ponto. Pois, registrei de forma permanente na minha consciência, tipo gravar no hardware do processador de um computador, a seguinte ordem:

“Deu overflow? Então registra no inconsciente as palavras chaves das atividades não prioritárias e depois esquece essas atividades, inclusive as suas palavras chaves. Feito isso, ocupa o raciocínio somente com o que é absolutamente prioritário. Em palavras computacionais, o que eu quero dizer é semelhante à “Deu overflow? Então, opera o cérebro em modo RISC, não SISC”.

Se tu fores igual a mim, ao sentir que o teu pensamento tá confuso, faz o seguinte: te transforma num robô e limpa o cenário do próximo contexto o máximo possível. Começa a limpeza por objetos de cores escuras. Mas nesse início, passa por todo o cenário, não só numa parte. Nessa primeira passagem, ocupa o teu raciocínio só com a limpeza dos objetos escuros e ignora o resto. Eu apelidei essa primeira passagem de faxina pesada.

Essa ação de ignorar, pode parecer um ataque, mas não. É só uma reação de defesa. Se tu fores adepto ao famoso “tudo ou nada”, nessa hora esquece. Pois, nenhuma sujeira pesada pode ser limpa de uma vez só. Serão necessárias outras passagens pelo mesmo cenário para completar a limpeza.

Depois dessa faxina pesada, relaxa, te alimenta e faz exercícios. Os meus exercícios podem ser vistos na opção EXTRAS 1 -> FOTO ATIVIDADE -> ATIVIDADES do menu principal.

Depois dos exercícios, eu relaxo, me alimento e me vou pro computador. Nessa hora, eu me sinto mais criativo e percebo coisas que eu não tinha percebido antes vendo as mesmas coisas.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

LEI DE MURPHY

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LEI DE MURPHY

É desastroso o desempenho que consigo hoje em descobrir os neurônios que encabeçam os meus posts. Já usei todo o meu banco e nada deles aparecerem. Esses tiranos parecem estar escondidos entre muralhas. Já tentei de tudo, só levei bolas nas costas. Mas uma hora, eles aparecem. O segredo é comer só pelas bordas.

Cansei. Resolvi trocar de tática. Agora, não gasto mais as minhas escassas fichas em tentativas fracas para derrubar essas muralhas. Ao invés disso, invisto em achar pequenos buracos nessas muralhas que me permitam descobrir pequenas fraquezas e apenas cutucá-las. Depois de cada cutuco, rapidamente eu tiro o time de campo e troco de contexto. Uma hora, essa muralha dos demônios cai e com o pé que estiver mais a mão, eu “pimba!”.

É sempre a consciência que comanda as ações. Porém, a inconsciência é muito maior, mais paciente e disciplinada. Basta que um pequeno grupo de neurônios inconscientes contraventores dominem a consciência para que a consciência faça a manada inconsciente estourar. Se isso acontecer, eu desenvolvo sete cabeças e viro monstro.

Nunca duvida da capacidade desses neurônios sem consciência. Mesmo que eles pareçam muito mais fracos, são muito mais numerosos e disciplinados. O exército dos neurônios inconscientes é munido de armas muito mais pesadas que as do exército consciente. De acordo com a Lei de Murphy, se eles quiserem dominar a consciência, vão conseguir.

Há alguns anos atrás, eu achava que os neurônios inconscientes eram apenas maioria simples, tipo 60%. Hoje, acho que essa maioria é próxima da totalidade. Algo parecido com a relação entre o tamanho do núcleo atômico e o do restante do átomo.

Para continuarem fiéis aos comandos da consciência, os neurônios da inconsciência precisam ser alimentados, exercitados permanentemente e descontraídos quando necessário.

Mas, necessidade não é a mesma coisa que vontade. Fazer o necessário é a mesma coisa que fazer o que tem que ser feito sem cometer injustiças nem desperdiçar forças. Fazer só o que se tem vontade é a mesma coisa que se aliviar mesmo cometendo injustiças ou desperdiçando forças.

Eu nunca começo um post pelo início nem pelo fim. É sempre pelo meio. Os neurônios que encabeçam os meus posts são bem mais criativos e precisos, mas muito mais impacientes, semelhante a armas leves. Já, os do meio não criam nada, mas são muito mais numerosos e disciplinados, semelhante a armas pesadas.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

Apresentação abaixo também disponível no menu principal em EXTRAS 2 -> GUERRA ESPIRITUAL

ALDEIA

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ALDEIA

Fui surfista. Passava parafina na prancha, estufava o peito, ia pra beira, procurava o melhor point e entrava no mar. Mas, bem de cantinho, confesso que raramente eu dropava direito. Já tomei várias vacas e já fui sugado várias vezes pelo repuxo. Depois de uma baita vaca, vários desistiam. Mas eu não desistia tão fácil.

Se tava tomando muito caldo nos côcos, respirava, remava contra as ondas, as furava, passava de arrebentação e lá me ia pra outra.

Apesar dessa minha insistência ter sido dolorida e cansativa, fui premiado com ensinamentos valiosos. Quanto mais arrebentações eu passava, menor ficava a frequência das ondas, maiores elas ficavam e mais altas ficavam suas cristas. Algumas até permitiam entubar. O intervalo entre uma onda e outra aumentava progressivamente a medida que as arrebentações iam passando, mas as séries continuavam sempre regulares.

Os meus mergulhos meditativos possuem uma correspondência exata com as passagens de arrebentações. As reações que o meu corpo tem, bem como as da minha consciência, são exatamente iguais. Inclusive, a regularidade misturada com a imprevisibilidade do mar também é exatamente igual.

Quando se passa uma arrebentação, vem uma calmaria até chegar no lugar onde se quebra as ondas. Isso também faz parte dessa relação.

Para conseguir surfar altas ondas meditativas, eu preciso respirar fundo, me libertar dos grilhões da razão e passar as arrebentações do cérebro. Depois, separa um lugar nessa areia, nós vamos chacoalhar sua aldeia.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

VAMBORA

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VAMBORA

Durante os anos 80, eu morei no bairro Higienópolis. Nessa época, pratiquei atletismo na SOGIPA. Eu era um dos atletas da equipe. O meu treinador era o Arataca e o atual treinador, Leonardo Ribas, também era um dos atletas que faziam parte dessa equipe. A especialidade dele era 800 metros rasos.

A irmã do Leonardo, Núbia, também fazia parte da equipe e tinha a mesma idade que eu. Volta e meia, treinávamos juntos. Todos me chamavam de Paulinho. Se pedires referências minhas lá, certamente encontrarás.

Os alicerces mais fortes do meu cérebro são formados por plantas nascidas nessa equipe. Essas plantas foram cultivadas não só no esporte, mas no convívio social que eu tive no clube (festas, churrascos, atividades complementares em outros esportes e etc). O meu primeiro beijo foi lá 🙂

Quando eu estava concentrado, treinando ou competindo, todos os meus colegas de equipe gritavam “Vambora, Paulinhooooo” e eu não inventava nada nem ingeria nada além de água. Apenas aplicava o treinado e só. Nessas horas, se surgisse algum imprevisto, eu apenas ajustava cortando movimentos, não inventando nada. Depois, esquecia e seguia o baile.

Ainda, se surgisse alguma ideia, eu só anotava ou memorizava, mas não fazia nada em função dela. Só depois resgatava essas memórias, as refinava e incluía nos treinos.

Já morei em muitos lugares diferentes, inclusive em estados diferentes. No tempo que eu morei no bairro Higienópolis, estudei em duas escolas: Plácido de Castro e Daltro Filho.

No início da exploração dos meus neurônios, por volta de 2012, as ideias que me caíam na cabeça eram grandes e egoístas (não aceitavam complementos, só correções). Depois, elas foram ficando menores e mais altruístas (aceitavam complementos, não só correções). Em resumo, elas foram adquirindo espírito de equipe.

As minhas ideias estão ficando cada vez mais parecidas com a natureza primitiva. Hoje, a medicina encara o cérebro como um músculo. Aposto que a relação entre músculo e cérebro é muito maior do que se imagina hoje.

Me sinto mais poderoso agora, mas muito mais exigido da paciência, resiliência e resignação.

Toda vez que quiseres plantar ideias na tua cabeça, faz os neurônios darem um trote (corrida leve) e os tranquiliza dessa forma:

1) elimina os estímulos visuais desnecessários para o momento;

2) elimina os estímulos auditivos desnecessários para o momento;

3) divide o inimigo (divide o desafio) para poder dominá-lo aos poucos em suaves prestações.

Aplica hoje só a primeira tática. Importante: não deixa pra amanhã, faz hoje mesmo. Durante o jantar, desliga as luzes diretas e, no lugar, liga luzes indiretas. Por hoje é só.

Não compra nada. Só usa o que tiveres em casa, mesmo que seja algo improvisado. Só investe noutra tática, amanhã ou depois. Mas, só faz isso depois de sentires algum ganho na tranquilidade. Antes, não!

Se repetires essa tática várias vezes, as luzes indiretas se transformarão em uma luz estroboscópica. Quando isso acontecer, publica algo e vai pra festa.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

NÃO É NÃO

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NÃO É NÃO

Eu tenho a impressão de que a evolução do cérebro causada pelo prazer proporcionado por alguma coisa ou hábito, tem uma correspondência direta com a evolução de um vício.

Mas, diferente que um vício, se a coisa ou hábito que proporciona prazer variar de maneira periódica e imprevisível, nunca se torna doentio como um vício. Ou seja, o prazer pode nos acompanhar a vida inteira sem virar doença.

Imagina que essa coisa ou hábito é um rio e o prazer é um peixe onde ele nada. No final desse rio, tem uma queda d’água… Mas, antes da queda, o peixe pega um afluente (varia a coisa ou hábito que proporciona prazer) e, apesar de aumentar o caminho, chega no destino sem passar pela queda d’água. E isso acontece de maneira completamente irracional. Ainda, quanto mais virgem for esse rio, mais perfeita é essa comparação.

Eu preciso dar uns sustos no cérebro pra induzi-lo reduzir a amplitude do foco e pegar caminhos alternativos (pegar afluentes estreitos). Um exemplo desses sustos, que eu repito todos os dias, é dar um choque térmico no corpo no final do banho, passando de quente pro frio instantaneamente.

Durante o dia, eu estimulo esses sustos várias vezes. Por exemplo, decidir trocar de mão que escova os dentes um segundo antes da troca. Outro exemplo, sentir vontade de ir ao banheiro longe de um banheiro. E por aí vai…

Agora, imagina que esses sustos são rugidos de um animal selvagem numa mata, que vão ficando mais altos a medida que se repetem. Até que, de repente, silenciam… Bah.

Quanto menor for a amplitude do meu foco, menor é a minha vontade de olhar pro relógio e mais rápidos ficam meus reflexos. Eu fico parecendo um peixe voraz, que só quer comer e seguir em frente.

Hoje, eu não vou mais em academias de ginástica. Ao invés disso, pratico diariamente exercícios em casa, sozinho. De tempos em tempos, eu procuro uma orientação fisioterápica para aprender a maneira certa de variar os exercícios que combatem os sintomas da minha doença. Mas sempre vario a orientação. Agora compara essa orientação com aquele rio e eu com o peixe.

Uma bateria alcalina funciona beleza até acabar a energia. Quando a energia acaba, ela “puf”: passa do estado de funcionamento normal para morta. Uma bateria comum vai se deteriorando à medida que a energia vai diminuindo. Ela vai minguando, minguando, até que morre. Agora compara uma bateria alcalina com um peixe que sempre pega afluentes e uma bateria comum com um peixe que nunca sai do rio que está nadando.

É normal termos as nossas preferências, que são as coisas ou hábitos que menos variamos. Mas, ainda que com bem menos frequência, elas precisam variar. Agora, imagina que essas preferências sejam os rios principais e eu o peixe.

Eu medito parando totalmente o raciocínio e me concentrando num ponto. Agora, imagina que eu meditando seja um peixe cego escolhendo um caminho, entre dois, para seguir em frente.

Quanto mais eu vario as coisas, maior fica a minha resiliência e capacidade auto didática. O cérebro é o único órgão do corpo humano que consegue evoluir até o fim. Mas só consegue se variar as coisas. Quando ele quiser se acomodar na mesma coisa, diz “não”. Não é não.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

PLÁGIO

Não é a prosa nem o verso
Que fazem o peão vencer a gineteada
Nem o mouro cruzar a chegada.
Verdade que sem eles
Nada pode ser contado.
Mas, para que esta dúvida
Não virasse sofrimento
Apostei no som e no movimento.

Último verso da poesia “Payada da dança”, do livro INSPIRAÇÃO, disponível em http://sustonosneuronios.org -> EXTRAS 1 -> INSPIRAÇÃO

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PLÁGIO

A razão e a criatividade são coisas bem distintas, mas sempre estão juntas. Uma completa a outra.

Quando eu segui só a razão, ignorando a criatividade, encontrei a depressão. Quando eu segui só a criatividade, ignorando a razão, encontrei o pânico. Juro que isso é verdade!

A base que sustenta esses dois não é sólida nem fixa. É gasosa e fugaz, troca de forma rapidamente. E se eles não estiverem bem sincronizados, é problema na certa.

A medida que eu fui explorando os meus neurônios, repetindo contextos com mudanças ditadas pela roda da potência neurológica (EXTRAS 2 -> POTÊNCIA NEUROLÓGICA) , os antigos limites aumentaram progressivamente e de tal forma que alguns até sumiram.

Um exemplo desses sumiços foi o de monstros que me causavam medo ao dormir. No início, eles me causavam muito medo, sofrimento e uma sensação de claustrofobia (era pânico). Depois, esses medos absurdos se dissiparam em menos de um mês. Se tornaram apenas medos normais. Depois de alguns anos, esses medos normais sumiram completamente.

Na mesma progressão dessa “desintoxicação dos neurônios”, meus gostos alimentares mudaram involuntária e gradualmente para comes e bebes mais amargos e magros. Hoje, a mesma aversão por comidas amargas e magras que eu tinha antes, eu tenho hoje por comidas doces e engorduradas. Se eu for obrigado a comê-las, eu até como, mas não é minha praia.

Os alicerces dessa exploração são comandados pela razão, que é regular e previsível. E as outras coisas, completamente caóticas, pela criatividade. Mas os dois estão presentes em tudo. Apenas os seus papéis se invertem e de maneira súbita e imprevisível.

Na exploração de novidades (maiores amigas da criatividade), a minha principal estratégia é não exagerar em nada, fatiando tarefas novas e complexas em vários contextos e apenas deixando que ideias criativas venham sozinhas, sem buscá-las. O ganho com essa estratégia não é pouca merda, é muita merda.

Por diversas vezes, já me perguntaram se eu uso algum artifício contra plágio. Bem, eu sei que esse problema existe, mas eu prefiro investir na difusão das minhas ideias do que utilizar esses artifícios.

Essa minha preferência não é por uma simples comodidade, tem um forte fundamento. Pois, a arma mais poderosa de todas é o apoio popular. Essa afirmação foi feita pelo pai da política, Nicolau Maquiavel, eu apenas sigo essa ideia. O livro que ele fez essa afirmação se chama “A Arte da Guerra” (EXTRAS 2 > GUERRA ESPIRITUAL).

Paulo Ricardo Silveira Trainini

MOLA

MOLA

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MOLA

Segundo o neurocientista Ivan Izquierdo, a genialidade é uma característica genética, afirmação essa feita no seu livro “A Arte de Esquecer”. Certamente essa afirmação tem uma forte base científica. Bom, hoje, eu tenho minhas dúvidas.

Não na veracidade dessa afirmação, mas na capacidade que a ciência tem de afirmar isso. Pois, a partir da segunda fase do desenvolvimento dos meus neurônios, os ganhos ficaram tão surpreendentes que duvido que a ciência seja capaz de fazer essa afirmação.

Na minha opinião, o potencial do desenvolvimento do cérebro – em especial as habilidades não providas pelo estudo, como criatividade, intuição e outras – não pode ser mensurado e duvido que algum dia possa.

Os ganhos neurológicos que eu consegui na exploração dos meus neurônios são tão grandes que aposto que qualquer um consegue ser um gênio se fizer uma boa exploração, mesmo que a sua genética não seja premiada com a genialidade.

Eu raciocino sobre os neurônios como sendo equivalentes a palavras da memória de um computador. Além de armazenar dados, essas palavras se comunicam com outras palavras. Não sei se essa comparação é a melhor. Mas, até agora, ela é satisfatória para raciocinar sobre as minhas descobertas. Porém, tenha em mente que as decisões do cérebro não são tomadas só pela razão, mas também com a participação da emoção.

O desenvolvimento do meu cérebro pode ser dividido em duas partes. Chamo a primeira parte de desintoxicação dos neurônios. A segunda, de exploração dos neurônios. Como os meus neurônios estavam cheios de vícios (noitadas, alimentação errada, descanso errado…) precisei fazer uma faxina completa nos meus neurônios antes de explorá-los. Essa foi a primeira parte, ela é análoga à desintoxicação de um drogado.

As mudanças que eu estimulava (variações, desafios e novidades), sofridas pelos meus neurônios, eram bem mais doloridas que hoje, muito mais! Nessa fase, eu tive verdadeiras crises de pânico. Visões de monstros, medo de morrer e outros divertimentos na mesma linha.

Apesar de serem muito menos doloridos, os resultados que eu obtive depois da desintoxicação são muito maiores e continua aumentando. Verdade que a frequência da chegada desses resultados tá cada vez menor. E essa progressão continua.

Imagina que o conhecimento adquirido com o estudo formal sustenta as coisas complementares: criatividade, intuição, empatia e etc. Tipo uma mola em espiral, que consegue se sustentar em pé mesmo que o topo faça movimentos loucos porque o diâmetro da base é bem maior. A base dessa mola é como se fosse o conhecimento, o topo, as outras coisas.

Antes de iniciar a treinar o meu cérebro, só estudando e trabalhando da maneira tradicional, o meu cérebro era uma mola só com argolas de diâmetro pequeno. Durante a primeira fase desse meu treino (desintoxicação do cérebro), o meu cérebro desenvolveu algumas argolas mais largas.

Nas fases seguintes, aconteceu algo diferente do que eu imaginava. Ao invés de continuar crescendo, a mola parou de crescer e se multiplicou. Ou seja, o meu cérebro não ficou como uma mola enorme, mas como diversas molas apenas sendo cada uma um tanto maior que a primeira. Bom, pelo que percebi até agora, essa descrição figurada do desenvolvimento que o meu cérebro sofreu é perfeita em todos os aspectos correspondentes.

Se um reles maloqueiro qualquer, louco de atar, resolver encarar uma exploração dos neurônios como essa minha, conseguirá desenvolver uma inteligência, resiliência e capacidade de superação tão surpreendentes que poderá ser chamado de gênio, pelo menos de acordo com as referências atuais.

Quando eu disse que a primeira fase é a mais difícil, eu me referi a fase que eu tive crises de pânico. No mesmo livro que disse que a genialidade é uma característica genética, eu li que a primeira fase do tratamento dos neurônios é análoga à desintoxicação de um drogado.

Cheguei muito próximo de um colapso do cérebro. Pensei até que não tinha outra coisa a não ser esperar esse colapso. Mas daí, o meu cérebro fez algo impressionante: ao invés de aumentar a mola de tamanho, elas se multiplicaram. Aí, eu me afastei desse colapso e o desenvolvimento não parou, até ficou bem maior.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

ALÍVIOS

A consciência
é a imaginação quem cria

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ALÍVIOS

Quanto menor for a probabilidade de acontecer o óbvio, menos óbvio fica o óbvio. Óbvio…

Se o mais provável é que uma coisa terrível aconteça e que só é uma questão de tempo para que ela chegue, o melhor não é encarar essa coisa no presente, pois isso é sofrer por antecipação.

O melhor é se concentrar em planejar e fazer o que tem que ser feito para diminuir a probabilidade de acontecer essa coisa terrível, encarando só coisas nítidas, mesmo que sejam partes muito pequenas do todo.

Quanto menor for a invasão dessa probabilidade terrível na consciência, menos ela inferniza o cérebro no presente.

Essa foto é uma boa representação figurada de como eu enfrentei as crises de pânico que eu tive um tempo depois de eu voltar do hospital que eu operei a perna espatifada.

Eu não olhava para o fim do túnel nem para as paredes. Apenas respirava, me concentrava em me equilibrar e dar o próximo passo sem cair, que iriam me deixar alguns centímetros mais próximo do fim do túnel.

Agora, imagina que eu era essa pessoa caminhando nos trilhos e as paredes do túnel eram infestadas de monstros que me causavam pânico.

Durante a concentração, eu apenas imaginava a luz do fim do túnel, mas não o que tinha lá. Como um pescador que apenas isca o anzol, mas não sabe que peixe vai pegar nem quando.

Essa imaginação nocauteava o sofrimento presente. Mas não tentava viver o final do sofrimento no presente. No presente, apenas me preocupava em não ser nocauteado nos próximos passos.

De tempos em tempos, eu relaxava, me alimentava, dormia e … sei lá o que viria depois.

Quem comanda a caminhada é a razão e o sentimento assume patentes inferiores. Na imaginação, as patentes se invertem: quem comanda a imaginação é o sentimento e a razão assume patentes inferiores.

A comunicação entre diferentes patentes é assíncrona, não síncrona. Nessa comunicação, usa e abusa de blocos de notas.

Se essa comunicação for síncrona, dá pesadelos. Eu falo sobre esses pesadelos em outros posts. Se quiseres consultá-los, escreve “pesadelos” no campo “pesquisa” e pressiona ENTER.

Depois de alguns anos, notei uma série de coisas nesses túneis: melhora do meu equilíbrio, aumento da frequência dos passos, repetição de padrões e muitas outras coisas.

Hoje, eu já entendi que a felicidade não é chegar no fim do túnel. Mas curtir esses alívios intermediários e seguir sempre em frente, fazendo o que tem que ser feito. Aliás, se o fim do túnel chegar, o que virá depois?

Paulo Ricardo Silveira Trainini