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NÃO É NÃO

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NÃO É NÃO

Eu tenho a impressão de que a evolução do cérebro causada pelo prazer proporcionado por alguma coisa ou hábito, tem uma correspondência direta com a evolução de um vício.

Mas, diferente que um vício, se a coisa ou hábito que proporciona prazer variar de maneira periódica e imprevisível, nunca se torna doentio como um vício. Ou seja, o prazer pode nos acompanhar a vida inteira sem virar doença.

Imagina que essa coisa ou hábito é um rio e o prazer é um peixe onde ele nada. No final desse rio, tem uma queda d’água… Mas, antes da queda, o peixe pega um afluente (varia a coisa ou hábito que proporciona prazer) e, apesar de aumentar o caminho, chega no destino sem passar pela queda d’água. E isso acontece de maneira completamente irracional. Ainda, quanto mais virgem for esse rio, mais perfeita é essa comparação.

Eu preciso dar uns sustos no cérebro pra induzi-lo reduzir a amplitude do foco e pegar caminhos alternativos (pegar afluentes estreitos). Um exemplo desses sustos, que eu repito todos os dias, é dar um choque térmico no corpo no final do banho, passando de quente pro frio instantaneamente.

Durante o dia, eu estimulo esses sustos várias vezes. Por exemplo, decidir trocar de mão que escova os dentes um segundo antes da troca. Outro exemplo, sentir vontade de ir ao banheiro longe de um banheiro. E por aí vai…

Agora, imagina que esses sustos são rugidos de um animal selvagem numa mata, que vão ficando mais altos a medida que se repetem. Até que, de repente, silenciam… Bah.

Quanto menor for a amplitude do meu foco, menor é a minha vontade de olhar pro relógio e mais rápidos ficam meus reflexos. Eu fico parecendo um peixe voraz, que só quer comer e seguir em frente.

Hoje, eu não vou mais em academias de ginástica. Ao invés disso, pratico diariamente exercícios em casa, sozinho. De tempos em tempos, eu procuro uma orientação fisioterápica para aprender a maneira certa de variar os exercícios que combatem os sintomas da minha doença. Mas sempre vario a orientação. Agora compara essa orientação com aquele rio e eu com o peixe.

Uma bateria alcalina funciona beleza até acabar a energia. Quando a energia acaba, ela “puf”: passa do estado de funcionamento normal para morta. Uma bateria comum vai se deteriorando à medida que a energia vai diminuindo. Ela vai minguando, minguando, até que morre. Agora compara uma bateria alcalina com um peixe que sempre pega afluentes e uma bateria comum com um peixe que nunca sai do rio que está nadando.

É normal termos as nossas preferências, que são as coisas ou hábitos que menos variamos. Mas, ainda que com bem menos frequência, elas precisam variar. Agora, imagina que essas preferências sejam os rios principais e eu o peixe.

Eu medito parando totalmente o raciocínio e me concentrando num ponto. Agora, imagina que eu meditando seja um peixe cego escolhendo um caminho, entre dois, para seguir em frente.

Quanto mais eu vario as coisas, maior fica a minha resiliência e capacidade auto didática. O cérebro é o único órgão do corpo humano que consegue evoluir até o fim. Mas só consegue se variar as coisas. Quando ele quiser se acomodar na mesma coisa, diz “não”. Não é não.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

PLÁGIO

Não é a prosa nem o verso
Que fazem o peão vencer a gineteada
Nem o mouro cruzar a chegada.
Verdade que sem eles
Nada pode ser contado.
Mas, para que esta dúvida
Não virasse sofrimento
Apostei no som e no movimento.

Último verso da poesia “Payada da dança”, do livro INSPIRAÇÃO, disponível em http://sustonosneuronios.org -> EXTRAS 1 -> INSPIRAÇÃO

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PLÁGIO

A razão e a criatividade são coisas bem distintas, mas sempre estão juntas. Uma completa a outra.

Quando eu segui só a razão, ignorando a criatividade, encontrei a depressão. Quando eu segui só a criatividade, ignorando a razão, encontrei o pânico. Juro que isso é verdade!

A base que sustenta esses dois não é sólida nem fixa. É gasosa e fugaz, troca de forma rapidamente. E se eles não estiverem bem sincronizados, é problema na certa.

A medida que eu fui explorando os meus neurônios, repetindo contextos com mudanças ditadas pela roda da potência neurológica (EXTRAS 2 -> POTÊNCIA NEUROLÓGICA) , os antigos limites aumentaram progressivamente e de tal forma que alguns até sumiram.

Um exemplo desses sumiços foi o de monstros que me causavam medo ao dormir. No início, eles me causavam muito medo, sofrimento e uma sensação de claustrofobia (era pânico). Depois, esses medos absurdos se dissiparam em menos de um mês. Se tornaram apenas medos normais. Depois de alguns anos, esses medos normais sumiram completamente.

Na mesma progressão dessa “desintoxicação dos neurônios”, meus gostos alimentares mudaram involuntária e gradualmente para comes e bebes mais amargos e magros. Hoje, a mesma aversão por comidas amargas e magras que eu tinha antes, eu tenho hoje por comidas doces e engorduradas. Se eu for obrigado a comê-las, eu até como, mas não é minha praia.

Os alicerces dessa exploração são comandados pela razão, que é regular e previsível. E as outras coisas, completamente caóticas, pela criatividade. Mas os dois estão presentes em tudo. Apenas os seus papéis se invertem e de maneira súbita e imprevisível.

Na exploração de novidades (maiores amigas da criatividade), a minha principal estratégia é não exagerar em nada, fatiando tarefas novas e complexas em vários contextos e apenas deixando que ideias criativas venham sozinhas, sem buscá-las. O ganho com essa estratégia não é pouca merda, é muita merda.

Por diversas vezes, já me perguntaram se eu uso algum artifício contra plágio. Bem, eu sei que esse problema existe, mas eu prefiro investir na difusão das minhas ideias do que utilizar esses artifícios.

Essa minha preferência não é por uma simples comodidade, tem um forte fundamento. Pois, a arma mais poderosa de todas é o apoio popular. Essa afirmação foi feita pelo pai da política, Nicolau Maquiavel, eu apenas sigo essa ideia. O livro que ele fez essa afirmação se chama “A Arte da Guerra” (EXTRAS 2 > GUERRA ESPIRITUAL).

Paulo Ricardo Silveira Trainini

MOLA

MOLA

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MOLA

Segundo o neurocientista Ivan Izquierdo, a genialidade é uma característica genética, afirmação essa feita no seu livro “A Arte de Esquecer”. Certamente essa afirmação tem uma forte base científica. Bom, hoje, eu tenho minhas dúvidas.

Não na veracidade dessa afirmação, mas na capacidade que a ciência tem de afirmar isso. Pois, a partir da segunda fase do desenvolvimento dos meus neurônios, os ganhos ficaram tão surpreendentes que duvido que a ciência seja capaz de fazer essa afirmação.

Na minha opinião, o potencial do desenvolvimento do cérebro – em especial as habilidades não providas pelo estudo, como criatividade, intuição e outras – não pode ser mensurado e duvido que algum dia possa.

Os ganhos neurológicos que eu consegui na exploração dos meus neurônios são tão grandes que aposto que qualquer um consegue ser um gênio se fizer uma boa exploração, mesmo que a sua genética não seja premiada com a genialidade.

Eu raciocino sobre os neurônios como sendo equivalentes a palavras da memória de um computador. Além de armazenar dados, essas palavras se comunicam com outras palavras. Não sei se essa comparação é a melhor. Mas, até agora, ela é satisfatória para raciocinar sobre as minhas descobertas. Porém, tenha em mente que as decisões do cérebro não são tomadas só pela razão, mas também com a participação da emoção.

O desenvolvimento do meu cérebro pode ser dividido em duas partes. Chamo a primeira parte de desintoxicação dos neurônios. A segunda, de exploração dos neurônios. Como os meus neurônios estavam cheios de vícios (noitadas, alimentação errada, descanso errado…) precisei fazer uma faxina completa nos meus neurônios antes de explorá-los. Essa foi a primeira parte, ela é análoga à desintoxicação de um drogado.

As mudanças que eu estimulava (variações, desafios e novidades), sofridas pelos meus neurônios, eram bem mais doloridas que hoje, muito mais! Nessa fase, eu tive verdadeiras crises de pânico. Visões de monstros, medo de morrer e outros divertimentos na mesma linha.

Apesar de serem muito menos doloridos, os resultados que eu obtive depois da desintoxicação são muito maiores e continua aumentando. Verdade que a frequência da chegada desses resultados tá cada vez menor. E essa progressão continua.

Imagina que o conhecimento adquirido com o estudo formal sustenta as coisas complementares: criatividade, intuição, empatia e etc. Tipo uma mola em espiral, que consegue se sustentar em pé mesmo que o topo faça movimentos loucos porque o diâmetro da base é bem maior. A base dessa mola é como se fosse o conhecimento, o topo, as outras coisas.

Antes de iniciar a treinar o meu cérebro, só estudando e trabalhando da maneira tradicional, o meu cérebro era uma mola só com argolas de diâmetro pequeno. Durante a primeira fase desse meu treino (desintoxicação do cérebro), o meu cérebro desenvolveu algumas argolas mais largas.

Nas fases seguintes, aconteceu algo diferente do que eu imaginava. Ao invés de continuar crescendo, a mola parou de crescer e se multiplicou. Ou seja, o meu cérebro não ficou como uma mola enorme, mas como diversas molas apenas sendo cada uma um tanto maior que a primeira. Bom, pelo que percebi até agora, essa descrição figurada do desenvolvimento que o meu cérebro sofreu é perfeita em todos os aspectos correspondentes.

Se um reles maloqueiro qualquer, louco de atar, resolver encarar uma exploração dos neurônios como essa minha, conseguirá desenvolver uma inteligência, resiliência e capacidade de superação tão surpreendentes que poderá ser chamado de gênio, pelo menos de acordo com as referências atuais.

Quando eu disse que a primeira fase é a mais difícil, eu me referi a fase que eu tive crises de pânico. No mesmo livro que disse que a genialidade é uma característica genética, eu li que a primeira fase do tratamento dos neurônios é análoga à desintoxicação de um drogado.

Cheguei muito próximo de um colapso do cérebro. Pensei até que não tinha outra coisa a não ser esperar esse colapso. Mas daí, o meu cérebro fez algo impressionante: ao invés de aumentar a mola de tamanho, elas se multiplicaram. Aí, eu me afastei desse colapso e o desenvolvimento não parou, até ficou bem maior.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

ALÍVIOS

A consciência
é a imaginação quem cria

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ALÍVIOS

Quanto menor for a probabilidade de acontecer o óbvio, menos óbvio fica o óbvio. Óbvio…

Se o mais provável é que uma coisa terrível aconteça e que só é uma questão de tempo para que ela chegue, o melhor não é encarar essa coisa no presente, pois isso é sofrer por antecipação.

O melhor é se concentrar em planejar e fazer o que tem que ser feito para diminuir a probabilidade de acontecer essa coisa terrível, encarando só coisas nítidas, mesmo que sejam partes muito pequenas do todo.

Quanto menor for a invasão dessa probabilidade terrível na consciência, menos ela inferniza o cérebro no presente.

Essa foto é uma boa representação figurada de como eu enfrentei as crises de pânico que eu tive um tempo depois de eu voltar do hospital que eu operei a perna espatifada.

Eu não olhava para o fim do túnel nem para as paredes. Apenas respirava, me concentrava em me equilibrar e dar o próximo passo sem cair, que iriam me deixar alguns centímetros mais próximo do fim do túnel.

Agora, imagina que eu era essa pessoa caminhando nos trilhos e as paredes do túnel eram infestadas de monstros que me causavam pânico.

Durante a concentração, eu apenas imaginava a luz do fim do túnel, mas não o que tinha lá. Como um pescador que apenas isca o anzol, mas não sabe que peixe vai pegar nem quando.

Essa imaginação nocauteava o sofrimento presente. Mas não tentava viver o final do sofrimento no presente. No presente, apenas me preocupava em não ser nocauteado nos próximos passos.

De tempos em tempos, eu relaxava, me alimentava, dormia e … sei lá o que viria depois.

Quem comanda a caminhada é a razão e o sentimento assume patentes inferiores. Na imaginação, as patentes se invertem: quem comanda a imaginação é o sentimento e a razão assume patentes inferiores.

A comunicação entre diferentes patentes é assíncrona, não síncrona. Nessa comunicação, usa e abusa de blocos de notas.

Se essa comunicação for síncrona, dá pesadelos. Eu falo sobre esses pesadelos em outros posts. Se quiseres consultá-los, escreve “pesadelos” no campo “pesquisa” e pressiona ENTER.

Depois de alguns anos, notei uma série de coisas nesses túneis: melhora do meu equilíbrio, aumento da frequência dos passos, repetição de padrões e muitas outras coisas.

Hoje, eu já entendi que a felicidade não é chegar no fim do túnel. Mas curtir esses alívios intermediários e seguir sempre em frente, fazendo o que tem que ser feito. Aliás, se o fim do túnel chegar, o que virá depois?

Paulo Ricardo Silveira Trainini

PODA

“E haverá um rio, haverá uma ponte, haverá um encontro. Ainda que não houver. ”
Rubem Penz

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PODA

Há poucas décadas, a neurociência descobriu que as decisões do cérebro não são tomadas só pela razão, como se imaginava, mas pela razão com a participação das emoções. Por isso, o teste de QI não é mais usado para medir a inteligência, uma vez que ele mede só a capacidade racional do cérebro.

Para reforçar essa descoberta, constatou-se que as pessoas mais inteligentes do mundo não são as de QI mais alto.

Não se sabe como acontece a participação das emoções nas decisões. Bom, a prática me disse que essa participação é muito menor que a da razão. No meu caso, ela dificilmente passa de cinco por cento. Mas ela sempre carrega a ideia foco das minhas publicações. Sem ela, eu não publico nada. A ideia foco deste post foi a frase do Rubem (embaixo da figura acima), que eu li no seu livro “Hoje não vou falar de amor”.

Essa ideia foco carrega a criatividade, a coragem, a tranquilidade e todas as outras coisas deficientes no puro conhecimento.

A prática me disse também que quanto maior for a participação do conhecimento, maior é o espaço para a manifestação das emoções. Ou seja, quanto maior for o conhecimento, melhor. Mas, por maior que seja, o conhecimento não pode desconsiderar essa participação, senão dá alguma pane no cérebro.

Em outra oportunidade, fiquei sabendo que a taxa de pessoas entre os grandes nomes da história que são acompanhadas de algum problema psiquiátrico – em especial depressão – é muito mais alta do que entre pessoas comuns.

Aposto que todas essas informações têm alguma relação lógica. Mas, seja qual for, a progressão é apenas exata, não precisa, tipo a distribuição normal.

Quando focares em algo, não esquece de esquecer o resto. Senão, não conseguirás atender plenamente nem uma coisa nem outra. Além disso, correrás um sério risco de entrar em overflow (entrada de informação na consciência maior que a capacidade). Se acontecer isso, trava tudo: músculo, raciocínio, prudência, lucidez…: pane geral.

A maioria das pessoas se acha capaz de raciocinar sobre mais de uma coisa ao mesmo tempo. Errado. O cérebro só consegue raciocinar sobre uma coisa de cada vez. O aparente paralelismo é apenas uma multitarefa, que concorre o mesmo “raciocinador”.

Se a atenção ficar dividida em mais de uma coisa ao mesmo tempo, todos os recursos do cérebro também serão divididos. Isso trará um déficit de atenção. Se essa divisão exceder a capacidade: overflow.

Figura extraída de http://sustonosneuronios.org/ -> SITES BÁSICOS -> G1 -> COMENTÁRIOS -> FOCAR NO PRESENTE

No caso de o cérebro receber várias requisições ao mesmo tempo, o melhor é focar numa só coisa de cada vez. Focar não é a mesma coisa que simplesmente mudar a atenção. Mudar de foco é, além de mudar a atenção para outra coisa, esquecer completamente da coisa atual. Verdade que seguir a risca essa disciplina dá um frio na barriga, porque esse esquecimento pode parecer definitivo. Mas se o cérebro estiver bem treinado, não.

Quem se aventurar a seguir essa disciplina, vai perceber nitidamente que a tranquilidade invade o cérebro instantaneamente depois de um esquecimento saudável.

Se essa mudança de foco for bem executada, o cérebro pode perceber que uma simples poda neuronal seja suficiente para visualizar uma solução que parecia não existir.

Outra informação que suspeito estar relacionada com tudo isso é que a época em que mais se perde neurônios é até os dois anos de idade.

Aliás, nascemos com o cérebro pronto para ser um quadrúpede. Mas, quando aprendemos a andar, toda a parte do cérebro responsável pela motricidade se adapta para ser bípede.

Muitas vezes, focar em algo, não simplesmente mudar a atenção, mas também apagar da consciência o contexto atual, nos faz perceber soluções que pareciam não existir. Eu já passei por isso incontáveis vezes.

Se quiseres culpar algo por essa mágica, joga as culpas na mecânica quântica. Ela mais parece bruxaria.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

OVERFLOW

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OVERFLOW

Após sucessivas repetições, o meu cérebro passou a suportar bem mais coisas inesperadas e estranhas sem se estressar. No início, eu mal conseguia me concentrar por alguns minutos e logo tinha que trocar de contexto, senão, eu pirava. Nessa época, a frequência e o número de novidades eram muito maiores, bem como as criações. Porém, o meu cérebro se estressava com bem mais frequência.

Essas criações, no entanto, eram completamente cruas, necessitando várias revisões linguísticas, corte de partes inadequadas e etc. Eram como pedras preciosas recém extraídas da natureza. O meu trabalho de refinamento das publicações era muito maior e exigia muita paciência.

Hoje, as criações são bem mais raras. Porém, quando acontecem, me dão consistência de certeza de que possuem um valor alto. Essa certeza, me diz como compactar absurdamente as palavras-chaves dessas criações, de maneira que fiquem tão pequenas que eu não preciso anotá-las em nenhum meio externo, pois podem ficar no próprio cérebro em um lugar da memória privilegiado que a minha consciência consiga resgatar quando desejar.

Mas enquanto eu não resgatar, ela ficará esquecida, não parando o processo de enriquecimento feito pelo inconsciente. Essa memória que eu posso consultar quando eu desejar, e de forma rápida, é uma espécie de memória cache da consciência.

A evolução da organização da memória que o meu cérebro sofreu pode ser comparada com as vias de tráfego de uma cidade que iniciou cheia de semáforos, lombadas e redutores de velocidade e foi reduzindo gradativamente esses limitadores de fluxo com a melhora da malha viária e do controle de fluxo.

Hoje, a minha memória possui pouquíssimos limitadores de fluxo. Ela pode ser comparada com uma cidade planejada, como projeto inicial do Plano Piloto de Brasília. Dentro de uma via rápida, eu não crio nem percebo nada. Apenas faço o que tem que ser feito – sem nenhum tipo de ataque, só defesa – e sigo em frente.

Em função da necessidade de alívios, eu começo a inserir limitadores de fluxo e poluição visual/auditiva desnecessária em lugares vagos. Se isso continuar por muito tempo, o cérebro fica totalmente confuso e doente. Antes disso, eu organizo tudo de novo até ficar planejado. Daí a poluição volta a atrapalhar a organização. Isso se repete há anos.

Nessas repetições, eu descobri um truque sensacional: depois da organização da memória, eu preencho os lugares que ficariam vagos com alguma coisa de informação nula que pode ser facilmente remanejada e deixar o lugar momentaneamente vago só em alguma necessidade real. Por exemplo, disponibilizar essas áreas vagas para armazenar excesso de informação na consciência, evitando overflow de memória. Dessa forma, a consciência terá bem mais capacidade de armazenamento que o seu tamanho.

Ou seja, não lutar contra a poluição, mas sim, evitar que a poluição se instale. Sem muros de ataque, mas sim, trincheiras de defesa. Agindo assim, dificultará muito mais o overflow.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

DESLIGAMENTO-PQP

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DESLIGAMENTO-PQP

Logo que eu levanto, eu tomo um banho rápido e termino com uma ducha de água fria (quando tá muito frio, não). A ducha de água fria logo depois da água quentinha funciona como um energético imediato fortíssimo.

Esse choque térmico me transforma no incrível Hulk. Porém, essa transformação tem contraindicações, como mostra o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=pgn4gQNLVUE Caso queiras experimentar, pergunta pro teu médico se tu podes fazer isso.

Eu faço isso há anos. Todavia, iniciei essa troca brusca de temperatura da água de forma bem leve, apenas diminuindo um pouco a temperatura da água. Depois, eu fui aumentando a diminuição gradualmente – de acordo com a resposta do meu corpo – até desligar instantaneamente o aquecimento da água. Batizei esse desligamento de DESLIGAMENTO-PQP.

A fase do incrível Hulk dura menos de uma hora. Quando o meu corpo pede para relaxar, eu relaxo.  Se eu não relaxar, meu corpo trava. Já ignorei esse sinal vermelho do corpo e travei. Se esse travamento acontece em espaço público, é problema na certa. Praticamente todas as sementes criativas brotaram nessa fase. Porém, se essas mudas não forem cuidadas, podadas e enriquecidas pela razão, viram lixo.

Imagina que num contexto, tu te sentes um cantor famoso. Em um outro contexto, tu te sentes um dançarino. Em outro, o coreógrafo de uma apresentação desse cantor. Noutro, um mero observador dos ensaios. Noutro, o próprio cantor treinando (respiração, afinação de voz, cuidados com as cordas vocais, aulas de dança e etc). Noutro, o criador de outro clip inspirado nesse e essa criação engloba aspectos que envolve o conhecimento e o sentimento.

As informações resultantes de todos os contextos acima citados trafegam entre si e servem de base para refinar o controle desse tráfego. Esse ciclo se repete infinitamente e o seu refinamento é progressivo e recursivo. O processo de refinamento também alimenta as informações trafegadas. Essa alimentação mostrará a solução de problemas aparentemente insolúveis.

Depurar programas que implementam esse refinamento requer, além de teste de mesa, teste de campo. Não adianta só teste de mesa, por mais completo que seja. E mais, um teste de campo nunca conseguirá simular todas as hipóteses possíveis. Pois, elas surgem sei lá da onde durante as repetições.

A evolução disso tudo é uma espiral doida. O cérebro é o único órgão do corpo que evolui até o final da vida. Pra mim, a evolução do cérebro é como essa espiral doida. Onde os pontos que formam essa espiral são os neurônios.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

CAVERNA

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CAVERNA

Deus comanda o ataque, o conhecimento racional comanda a defesa. O meu cérebro pensa assim. Não chama isso de disciplina, mas sim de pensamento. Disciplina é razão pura, mas essa minha maneira de pensar não é razão pura. Pois, a espiritualidade está envolvida nisso. Mas espiritualidade não é religiosidade. Deixa as religiões fora disso.

Por mais que evolua, a razão nunca conseguirá modelar isso por completo. Mas advirto: quanto mais longe se vai nessa viajem, mais evoluída precisa estar a razão.

A própria razão consegue entender a razão disso: se a razão conseguisse modelar isso por completo, de onde viria a motivação para evoluir? Para ter motivação, a razão precisa de novos desafios. Podes ver, todos os artigos científicos que abordam questões inovadoras lançam novos desafios.

Os meus posts são escritos numa linguagem completamente informal e descompromissada com qualquer coisa que não venha do meu pensamento. Acho que uma comparação mais certeira dos meus posts seria com parábolas, não com artigos. Nesse trem, além de trocar artigo por parábola, troca motivação por inspiração.

A parábola mais famosa que eu conheço é a da caverna de Platão [01]. O presente é como se fosse um teatro de sombras. De onde vem essas sombras? Bem, pega o que a razão já te deu e embarca nesse trem. Aí, é só esperar. Te garanto que a origem de algumas sombras aparecerá logo adiante. Mas essas aparições nunca acabam.

As ideias que formam o esqueleto dos meus posts são como as partes mais básicas desse trem. Quanto mais eu repito essa viajem, mais eu percebo a existência da relação de coisas que claramente embarcam juntas no mesmo trem, ainda que não possuam nenhuma relação lógica.

Tanto os que produzem quanto os que consultam os meus posts embarcam no mesmo trem. Mas eles não possuem nenhuma relação lógica.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

[01] http://sustonosneuronios.org/ -> SITES BÁSICOS -> G1: SUSTO NOS NEURÔNIOS -> COMENTÁRIOS -> ESTRATÉGIAS -> MENSAGENS EXTRAS -> MSG 11: É SÓ O AMOR QUE CONHECE O QUE É VERDADE

BOLINHA

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BOLINHA

Dificilmente um problema grande pode ser vencido de uma vez só. É preciso podá-lo até ficar pequeno o suficiente para sacrificá-lo de vez. Por mais resistente e maciço, um problema sempre tem um ou mais pontos fracos que podem ser podados. Porém, se o problema for muito potente, só é possível descobrir seus pontos fracos isolando-os ou abstraindo-os o máximo possível e observando-os isoladamente.

Antes de descobrir um número de pontos fracos suficiente para acabar de vez com o problema, não o ataca nem dá nenhum sinal de que já conheces alguns dos seus pontos fracos. Pois, se for um vírus mutante, pode eliminar esses pontos fracos antes de ser sacrificado. Agir assim exige uma forte resistência a situações adversas (resiliência) e paciência, mas é o preço.

Existem problemas neurológicos que hoje não podem ser eliminados. Um exemplo é a minha doença, ataxia espino cerebelar, que é genética e degenerativa, não tem como ser eliminada. No entanto, a nossa história está repleta de descobertas de curas para doenças anteriormente incuráveis.

Noel Rosa morreu de tuberculose aos 27 anos de idade. Wolfgang Amadeus Mozart morreu de uma doença estranha aos 35 anos de idade. Eu vi uma manchete de um jornal do início do século passado que falava de uma velhinha! de 42 anos de idade, bah. Hoje, essas coisas seriam absurdas.

Quando eu reduzo o foco, aparece de forma nítida e instantânea a melhor forma de podar um problema que antes parecia completamente maciço. Cada repetição – repetições de acordo com a roda da potência neurológica – se descobre mais coisas que podem ser podadas. Depois de algumas podas, o problema fica uma bolinha de nada. Isso se assemelha a descascar uma cebola.

Se essa cebola for devidamente descascada, poderei encontrar duas bolinhas, não uma só, como eu pensava antes. Aí, coisas aparentemente sem solução podem ter solução.

As ideias básicas que eu tenho para escrever um post são como as bolinhas mais internas de uma cebola. Para agarrá-las preciso fazer várias podas nessa cebola de ideias. Durante as podas, eu não consumo nenhum tipo de estimulante (café, chocolate…) nem qualquer tipo de coisa que dê prazer (doces…). Se o teu médico concordar, aconselho experimentar fazer o mesmo. Pois isso, torna o processo mais eficaz.

Porém, essas bolinhas só podem ser visíveis independentemente reduzindo-se absurdamente a amplitude do foco. Imagina que reduzir o foco seja como descascar uma cebola.

Eu me espantei várias vezes com essas bruxarias que acontecem no cérebro. Se tu tiveres alguma dúvida, aplica algumas das minhas doiduras e vê por conta própria. Sugiro iniciar por SITES BÁSICOS -> G1: SUSTO NOS NEURÔNIOS -> COMENTÁRIOS

Paulo Ricardo Silveira Trainini

DRIBLE

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DRIBLE

Não sei se já reparaste nisso, mas os pássaros que voam em bando quase sempre voam em forma de “V”. Digo “quase” porque o caos sempre tem carta branca para invadir o céu e avacalhar com tudo quando a brindoleza desejar.

Os especialistas em aerodinâmica descobriram que essa tática é altamente inteligente, pois é a melhor forma de driblar a resistência do ar.

A mágica desse drible é cada pássaro aproveitar ao máximo o vácuo proporcionado pelo pássaro da frente. Dentro desse vácuo, a resistência do ar é zero. Aí, o pássaro dá uma caneta no vento, um chapéu no pássaro da frente, um toquinho pro gol e, meudeusducéu, que categoria!

Repara que nesse “V” sempre tem um pássaro mais à frente que todos, o líder. Ele é quem decide a direção do bando. Se ele se atirar num precipício, todos vão junto. Aposto que isso tem uma relação direta com o efeito manada.

Um detalhe, o líder do bando se altera de tempos em tempos. Um dos motivos é descansar, pois este não aproveita o vácuo de nenhum outro pássaro. Aposto que o outro motivo está relacionado com o caos.

Tá faltando para nós, reles humanos, essa inteligência irracional.

Paulo Ricardo Silveira Trainini