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PERCEBER

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PERCEBER

POSITIVO 86: Elemento focado, chefe. Aguardo novas instruções.

CHEFE: Ao ataque, Positivo. Mas só ataca o que estiver bem nítido e da maneira mais econômica possível. Restringe o ataque só à fonte da força do inimigo, não o inimigo diretamente. O que não estiver bem nítido, não ataca. Apenas defenda-se e mantenha-se o mais inerte possível.

POSITIVO 86: Entendido, chefe.

CHEFE: Na necessidade de uma arma não disponível, apaga as luzes. Nesse caso, antes de apagá-las, rapidamente olha onde estão localizados os principais objetos dentro do ambiente que te permitirão se localizar no escuro.

POSITIVO 86: Feito, chefe. Levei umas tortadas na cabeça, mas segui à risca as instruções. E agora, o que devo fazer?

CHEFE: Retirar, Positivo.

A medida que eu fui reduzindo o foco, mais frequentes e menos intensos ficaram os desafios que meu cérebro enfrenta.

 

Mesmo mantendo a irregularidade e a imprevisibilidade, essas mudanças seguiram uma progressão razoavelmente comportada. Nessa mesma progressão, os desafios foram ficando menos doloridos e mais precisos.

 

No início, a aceleração dessa progressão cresceu. Mas, a partir de um certo ponto, essa aceleração decresceu. Todavia, por menos intensos que ficaram os desafios, o desconforto por eles gerado nunca sumiu e a irregularidade também.

 

Se existisse uma função matemática que correspondesse à intensidade desses desafios, ficar menos intensos e mais frequentes seria como se a área abaixo do gráfico que correspondesse a essa função ficasse menor e mais densa. O desenho desse gráfico lembra a sola de um sapato utilizado por um vendedor ambulante.

 

Repara na semelhança do limite dessa função com o núcleo atômico. Bah, aí tem coisa…

 

No início, a intensidade dos desconfortos ocasionados pelos desafios era altíssima. Esses desconfortos pareciam monstros fantasmagóricos terríveis. Nessa fase, eu tive pesadelos horríveis, que falo mais detalhadamente no post TUDO PASSA.

 

Essas crises são parecidas com as crises de abstinência que um viciado em droga sente quando fica sem usar a droga muito tempo.

 

Se enfrentar esses desafios fosse um tratamento contra o vício, a fase inicial dessa minha trajetória espiritual seria semelhante à temida desintoxicação. Depois dessa fase, o enfrentamento das criaturas fantasmagóricas ficou parecendo brincadeira de criança.

Se o cérebro fosse comparado com uma rede de computadores, o foco seria como um túnel proxy trafegando numa conexão com uma largura de banda enorme, que pode transmitir milhares de túneis semelhantes ao mesmo tempo. Reduzir o foco seria diminuir a largura da banda que o túnel ocupa nessa rede.

Quanto maior for essa redução, mais fácil perceber detalhes, mesmo em ambientes muito poluídos visualmente, auditivamente e *mente. Ou seja, muito poluído de mentiras.

A gerência das conversas entre os meus neurônios segue princípios racionais, mas contaminadas pelo meu lado espiritual. As minhas principais estratégias são as citadas na opção GUERRA ESPIRITUAL do menu principal do site.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

MONTADOR

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MONTADOR

Se o céu escurece e começa a relampejar, eu calculo a a distância aproximada entre onde eu estou e onde cai um relâmpago contando os segundos entre a faísca do relâmpago e o trovão resultante. Depois de repetir essa contagem algumas vezes, eu consigo ter ideia da velocidade de aproximação e afastamento desses relâmpagos.

Se eu estiver no meio de uma baita chuva com um relâmpago atrás do outro, eu faço essa contagem só de cabeça, sem usar um cronômetro. Mas, apesar de aproximada, essa contagem me dá a certeza de pra que lado eu devo ir.

Apesar da imprevisibilidade do aparecimento e comportamento dos relâmpagos, eles sempre apresentam uma certa regularidade. Aposto que já deves ter notado a semelhança disso tudo com as mágicas que acontecem entre os neurônios. Ainda, se trocares a palavra “relâmpago” por “animal irracional” essa semelhança fica mais forte ainda.

Debaixo de uma baita chuva de relâmpagos, eu me concentro em fugir do perigo e ignoro todo o resto. Durante esse período, as informações que forem absorvidas, mas ignoradas pelo consciente, irão direto pro inconsciente. Lá, elas sofrerão terríveis bruxarias e, se foram devidamente codificadas e registradas no cérebro, serão resgatadas pelo consciente na hora certa e do jeito certo.

Eu acordo algumas horas antes de amanhecer. Durante esse tempo, eu ajo como um animal irracional. Foco exclusivamente no presente e ignoro completamente o passado e o futuro. Porém, os neurônios do presente são contaminados pelo conhecimento.

Para que essa contaminação aconteça, o conhecimento, após ser absorvido, precisa ser devidamente codificado através da palavra-chave e registrado no inconsciente. É ilusão achar que essa informação poderá ser resgatada posteriormente sem essa organização.

Todo esse processo me lembra um montador de programas de computador. Onde o lugar que caem os relâmpagos corresponde a um programa e cada tempestade de relâmpagos que cai nesse mesmo lugar corresponde a uma passagem.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

MASCARAMENTO


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MASCARAMENTO

Os meus neurônios só se animam a aprender coisas novas que envolvem desafios desagradáveis em troca de uma recompensa. Isso é como se os neurônios inovadores fossem animais irracionais sendo adestrados.

Dependendo dos acontecimentos, as posições de adestrador/adestrado podem se inverter instantaneamente. A única coisa fixa nisso é que a decisão de inverter é disparada pelo consciente, nunca pelo inconsciente. Também, ela pode ocorrer sem motivo lógico, semelhante ao que acontece nas inversões geomagnéticas.

A imagem principal dos meus posts enfatiza a visão positiva de tudo, não os pensamentos desagradáveis que povoaram a mente durante a dança das inversões nos contextos preparatórios (tristeza, medo, raiva, etc). O meu objetivo com esse mascaramento é que a recompensa possa ser sentida antes de ser entendida. Mas, respeitando essa ordem, o seu entendimento é fundamental. Isso garante que nenhuma informação subliminar fique armazenada no subconsciente.

Na hora dos pensamentos desagradáveis, eu faço da maneira mais rápida possível o mínimo necessário para obter a recompensa. Muitas vezes, eu faço da maneira errada, mas sempre sincera. Ela carrega uma ideia forte. Ela deve ser registrada, mas com um cuidado fundamental: escondo essa anotação da razão. Pois, se ela tentar raciocinar sobre isso, vira lixo.

Hoje, a recompensa é só o sentimento de uma recompensa futura. Quando eu sinto essa recompensa, eu não tenho a menor ideia do que será, quando e como virá. Só tenho a certeza de que esse trem está vindo.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

Mantra Ehyeh Asher Ehyeh Yo soy el que soy

INVETERADO

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INVETERADO

Meditar não é raciocinar. Pelo contrário, quando se medita, não se raciocina. Enquanto o cérebro raciocina, não consegue entrar em estado meditativo. Essa relação é mutuamente exclusiva e complementar, como a imagem de um objeto no espelho.

  O prazer pode estar presente quando se raciocina, mas não quando se medita. Na meditação, o lugar do prazer deve ser preenchido com tranquilidade e conforto. A inspiração vem da meditação, não do raciocínio.

  A imprevisibilidade dos fatos do futuro sempre me acompanhou e muitas vezes me impressionou. Duvido que isso mude. Todavia, apesar dessa eterna imprevisibilidade, as relações entre os fatos seguem um padrão. Não sei explicar isso, mas as repetições deixam claro que esse padrão existe.

  Esse padrão lembra o jogo TETRIS. Apesar da eterna imprevisibilidade das peças que irão cair, a prática deixa claro pro jogador como melhorar a sua performance. A razão não é a única responsável por essa melhora.

  Para teres uma ideia de quantas vezes eu já vi isso se repetir, quando eu iniciei a construção desse site, em 2014, eu já tinha passado por isso algumas vezes.

  A minha primeira publicação, feita em 2014, está disponível em http://sustonosneuronios.org/ -> Sites básicos -> G1: SUSTO NOS NEURÔNIOS -> O Poder do Chimarrão -> 1) COMO EU MEDITO

  Toda a vez que eu desafio o cérebro (não dar o que está pedindo) acontece a mesma coisa: primeiro eu viro uma fera, depois eu sinto uma tranquilidade e o movimento das minhas mãos parecem ser de um pianista.

  Quanto menores e mais numerosos forem os cubos que formam uma peça – análogo à foco reduzido – maior é o número de formas que a peça pode assumir para se encaixar melhor nos espaços disponíveis.

  Eu fui jogador inveterado de TETRIS por vários anos. Também, o primeiro programa que eu fiz na faculdade foi desenvolver em grupo esse jogo em linguagem Pascal.

   

Paulo Ricardo Silveira Trainini

 

 

TRUQUE

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TRUQUE

 

1 de 4 ——————————————————–

 

Quando o meu cérebro é surpreendido, o meu foco se reduz num piscar de olhos. Aí, as prioridades, antes nebulosas, ficam claras. Essa clarividência acontece porque o tratamento da surpresa, que é a prioridade, toma toda a minha atenção.

 

Imagina que a amplitude do foco corresponda ao calibre de um cateter. Quanto menor for o seu calibre (foco reduzido), mais incisiva e precisa é a penetração. Assim, as prioridades ficam muito mais claras.

 

Se a surpresa acontecer em um ambiente hostil, quanto maior for o conhecimento armazenado nos neurônios inconscientes (fora do foco), menos perigoso fica o tratamento dessa surpresa. Pois, eles serão acionados automaticamente quando forem necessários.

 

2 de 4 ——————————————————–

 

Por exemplo, se a surpresa for avistar um enxame de abelhas se aproximando, a prioridade é dar no pé para se salvar. E dar no pé sem ocupar o cérebro raciocinando, apenas coordenando as partes do corpo responsáveis por ensebar as canelas.

 

Nessa hora, se o cérebro cair na tentação de raciocinar, perde o foco em se salvar. Se o cérebro concluir que ficar onde está e acabar com o enxame é a melhor opção, decide comandar a defesa assim. Mas se o enxame for maior que o previsto inicialmente, vai acabar em problema.

 

Mesmo que o corpo gaste muita energia fugindo, a garantia do salvamento é maior.

 

É nesse silêncio do raciocínio que surgem as melhores sementes criativas. Eu sinto claramente esse surgimento. Porém, quando surgem, faço questão de deixá-las encubadas e escondidas da minha razão. Para conseguir isso, eu direciono toda a minha atenção para o próximo passo.

 

3 de 4 ——————————————————–

 

Eu só trato as sementes de criatividade logo depois que eu limpo totalmente a memória de trabalho. Eu só consigo fazer isso uma vez por dia e dificilmente dura mais do que uma hora. Fora desse período, eu disciplino o meu cérebro para ignorá-las.

 

É fácil perceber o limite entre a memória de trabalho suja e limpa: logo após a limpeza da memória de trabalho, eu consigo ouvir a minha própria respiração e o movimento das mãos parecem ser de pianista. Quando algum desses sinais não forem mais percebidos, a memória de trabalho não está mais limpa.

 

Essa percepção é como se fosse uma pessoa míope colocando óculos no grau certo. Depois de colocá-los, ela olha novamente para as mesmas coisas e percebe com bem mais nitidez detalhes que antes eram imperceptíveis por causa da miopia.

 

Quando eu consigo fazer uma faxina completa na consciência, a memória de trabalho funciona só como um periférico de entrada. Enviando direto, sem nenhum tipo de julgamento, todas as informações captadas para o inconsciente. Como se todos os estímulos externos fossem propagandas subliminares e todas as minhas reações são automáticas.

 

4 de 4 ——————————————————–

 

O que me impede totalmente de fazer essa faxina na memória de trabalho é algum vivente chamar a minha atenção, mesmo que só com um olhar.

 

O truque que eu uso para evitar raciocinar sobre o percebido logo depois da limpeza da memória de trabalho é ilustrar (sem escrever nada) o que foi percebido e rapidamente tirar da vista e prestar a atenção no próximo passo.

 

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Paulo Ricardo Silveira Trainini

 

 

MESMO QUE ESCAPE

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MESMO QUE ESCAPE

 

1 – 2 ———————————————————-

 

Quase sempre, a solução de um problema aparece com a descoberta da causa. Têm vezes, porém, que a descoberta da causa mostra que o problema em questão não tem solução. Nesses casos, a descoberta da causa, ainda que não encontre a solução, traz o alívio e reduz o problema, porque mostra o que pode ser ignorado.

 

Essa seleção do que pode e o que não pode ser ignorado funciona como uma espécie de túnel em uma escavação difícil e arriscada. A construção de um túnel, ainda que não traga o sucesso completo, pode afunilar as paredes do próximo túnel.

 

Quando eu me formei em Ciência da Computação (ciência exata), achava que qualquer estudo tem que ter fundamento lógico para poder ser científico. Nas ciências humanas, tudo que tiver fundamento estatístico na vida real pode ser científico, mesmo que escape da lógica.

 

Hoje eu penso diferente: as duas formas de pensar, apesar de serem conflitantes, estão certas e devem ser consideradas, mas são compostas por túneis independentes. Uma hora eu entro num túnel exato, outra hora, num humano. Depois eu combino as conclusões de tudo e produzo alguma coisa baseada na combinação, não só exata nem só humana.

 

2 – 2 ———————————————————-

 

Essas combinações são como paredes de túneis do tipo que falei no início. Em sentido figurado, essas paredes são feitas de monstros vorazes que não conseguem nos pegar, apesar da proximidade. Dentro desses túneis, apesar de não mudar minha opinião (sou uma mula), procuro agir como um camaleão, me adapto às cores do ambiente para respeitar todos e faço o que tem que ser feito para seguir em frente, mais nada.

 

O cérebro toma as suas decisões pela combinação da razão e emoção. Por isso que o teste de QI não é mais válido para medir a inteligência. Ele serve para avaliar a razão, mas não para essa combinação.

 

As pessoas mais inteligentes do mundo não são as que têm QI mais alto. Mas sim, as melhores nessa combinação. Claro que para ser inteligente, a razão tem que ser bem forte. Mas se ela usar essa força para emudecer a emoção, não conseguirá associar as ideias e reduzir a largura dos túneis.

 

Dar um passo à frente dentro desses túneis, funciona como afunilar o próximo túnel.

 

 

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Paulo Ricardo Silveira Trainini

PORTÃO

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PORTÃO

Situações muito difíceis parecem túneis estreitos onde estou enclausurado e o ar é limitado, parecendo que vai acabar logo. Quanto mais isso me apavora, mais estreito fica o túnel. As paredes parecem monstros querendo me pegar. A medida que o túnel vai ficando mais estreito, menor é o número de alternativas que eu tenho para escolher como agir.

Nessa hora, uma coisa fica nítida: ignorar o sentimento e agir só pela razão é a melhor alternativa para não virar pastel. Aí, eu escolho essa alternativa e sigo em frente, sem dar bola para o fim do túnel. Dou um passo de cada vez e não volto. Ainda que demore bem mais do que o previsto inicialmente, ter paciência e sangue frio para agir assim sempre me salvou de situações muito difíceis e ainda me trouxe ótimas ideias.

Eu disciplino cada vez mais o meu cérebro para pensar conscientemente só até logo antes um contexto desse tipo e voltar a pensar conscientemente somente depois do seu final. Durante o contexto, eu procuro guiar as minhas ações exclusivamente por comandos previamente programados, como um androide. E quanto mais reduzido for o foco, mais eficiente fica a execução desse programa.

A eficiência disso não está relacionada com a regularidade dos caminhos abertos. Muitas vezes, a irregularidade gera resultados magníficos, que a regularidade seria incapaz de conseguir.

Isso está relacionado com a teoria do portão da dor, que controla os impulsos nervosos responsáveis pela criação da percepção da dor. Treinar o cérebro para controlar a percepção da dor dessa forma depende das suas habilidades cognitivas.

Pô Montanha, que rolo! Aí… nesse rolo, me dá uma sugestão de como eu posso agir para deixar o cérebro porrada sem lesionar os neubíceps nem os neutríceps. – Ih, Maça, sei lá.

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Paulo Ricardo Silveira Trainini

https://youtu.be/9FTHz_d5HF

NADA

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NADA

Eu já notei que o fluxo de informações na minha consciência é guiado principalmente pelas relações entre as informações diferentes e não pelas informações propriamente ditas. Digo principalmente porque em casos de perigo a participação das relações nas decisões é nula.

Os casos de perigo diminuem gradativamente com o desenvolvimento cognitivo (atenção, orientação, fluência, linguagem e habilidades visuais/espaciais).

Quando me caem ideias, eu defino as suas palavras chaves por essas relações. Dessa forma, se essas informações invadirem a consciência na hora errada, elas poderão fluir livremente sem poderem ser interpretadas.

Palavras chaves em horas erradas funcionam como chaves públicas em PGP. Só no refinamento, elas se transformam em chaves privadas.

Nos contextos anteriores ao refinamento das publicações, eu facilito o máximo o trânsito do ar nos canais das regiões do diafragma pra baixo. Se esses canais fossem bexigas infláveis, facilitar seria encher as bexigas. No caso dos pulmões (acima do diafragma), eu apenas abro o ventil de cada bexiga. Esvaziam e relaxam sem eu pressionar nada.

Esse trabalho corporal diminui consideravelmente o volume dos pulmões em relação ao volume das regiões abaixo do diafragma. E essa relação se amolda com o meu estado de saúde/emocional. Ela é totalmente plástica. Dentro desse plástico, o ar flui pra onde quiser, não bloqueio nada.

É normal e até necessário que sustos acelerem o cérebro e não o deixe trocar de marcha (trocar de contexto) até tratar satisfatoriamente esses sustos, mesmo que a consciência deseje. Nessas horas, não estimula prazer nenhum, pois eles transformam chaves públicas em privadas. Mas cuidado, se essa aceleração exceder a capacidade atual do cérebro, dá pânico. Já passei por isso.

Esse travamento do cérebro na mesma marcha informa a consciência que ela pode carregar livremente informações contidas nos neurônios que causaram susto sem que elas possam ser interpretadas. Isso tranquiliza o cérebro, fazendo com que as sensações desagradáveis (dor, medo, aflição e etc) praticamente sumam.

Agora, imagina que os neurônios da consciência estejam nos pulmões e que os neurônios da inconsciência estejam nos órgãos abaixo do diafragma.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

OVO

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OVO

A consciência é a imaginação quem cria. Se ela concluir que algo é impossível e gravar no inconsciente essa impossibilidade, essa impossibilidade não mais poderá ser apagada, tipo uma informação no hardware de um computador. Dependendo do tipo do hardware, a única maneira de retirar essa memória é trocar a placa mãe. Mas não sei como isso funciona no cérebro.

Ainda que possa se manter latente, essa memória sempre poderá invadir a consciência caso seja acionada. Essa invasão inevitável é semelhante a uma interrupção de hardware em computador. Pelo que li no livro A Arte de Esquecer de Ivan Izquierdo, isso é semelhante ao fenômeno chamado de imprinting do cérebro dos patos.

Certa vez, Galileu Galilei, famoso em sua cidade natal – Florença, Itália – por suas experiências destrambelhadas, largou um ovo de cima da torre de pizza. Ao cair e se estatelar no chão, ele se perguntou “Por que o ovo caiu? ”. Uma senhora que estava passando, olhou pra ele e disse “Simples, porque você o largou! ”. Ao voltar para o seu laboratório, enunciou a lei da queda dos corpos.

No início dessa minha sei lá o quê espiritual, eu desenhava a ideia foco na parte superior de um papel e esperava a imaginação me dar outra ideia. Escrevia as outras ideias no mesmo papel. Depois, tirava esse papel da vista e trocava de contexto. Depois dessa troca, eu facilmente esquecia (tirava da consciência e registrava no inconsciente a localização do papel). Algumas horas depois, eu pegava o papel, refinava e publicava algo.

Depois de algum tempo, ficou mais difícil esquecer as ideias, mas eu só refinava depois de esquecer completamente, para dar liberdade ao inconsciente de tornar possível coisas que a consciência achava impossível. Para conseguir esquecê-las, eu fui aumentando os desafios. Mas teve uma hora que o meu cérebro me disse “Pááááára, senão eu enlouqueço! ”. Quando o teu cérebro disser isso, pára de imaginar qualquer coisa e só age para reduzir o foco do próximo contexto, mais nada.

Se o teu cérebro disser isso só quando algo do corpo pifar, não tenta consertar a coisa pifada com outras ideias. Só remenda da maneira mais simples possível e corre para reduzir o foco do próximo contexto. Apenas registra essas ideias em algum lugar sem deixar a imaginação mexer os dedos das mãos e dizer “sim, sim, salabin” no presente.

Isso me fez produzir ideias mais fortes, mas comecei a demorar mais para publicar coisas novas. A medida que essa demora aumentou, as sensações passaram a ser apenas manifestações estranhas dos meus músculos, não mais do coração. Agora essas manifestações musculares pararam e apenas uns pontos em movimento aparecem de vez em quando e na hora do relaxamento. Apesar de ser totalmente destrambelhado, o movimento desses pontos segue um padrão.

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Paulo Ricardo Silveira Trainini

ARO

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ARO

1 – 3 ———————————————–

Ao sentir a aproximação de uma ideia foco, tipo uma inspiração sem tradução textual, o que eu faço é desenhar o que sinto sem escrever nada.

Nessa hora, o ideal é que os estímulos visuais e auditivos percebidos pelo consciente sejam reduzidos ao máximo. Mas quando eu não tenho condições de fazer isso, tipo no meio de um trânsito caótico, eu lanço mão de um truque que já usei inúmeras vezes, com sucesso.

O truque é, além de não escrever nada, eu não desenho. Apenas procuro me lembrar de um fato desagradável da minha infância que posteriormente fortificou a minha mente.

Por exemplo, logo que eu aprendi a andar de bicicleta, eu prendia o pé no aro da roda frequentemente. A medida que eu fui melhorando o equilíbrio e parando menos vezes para me equilibrar novamente, foi diminuindo as vezes que eu prendia o pé no aro. Até que não mais prendi o pé. E quanto mais prática eu pegava, menos eu me preocupava com isso e dava mais atenção para pedalar da maneira mais eficiente possível. Quando eu percebi essa relação, eu dominei a bicicleta mais rápido que o normal.

2 – 3 ———————————————–

Quando eu fui morar em Brasília – DF, eu estava na metade da primeira série. Logo que cheguei lá, a mãe me botou numa escola. Já nos primeiros dias, a professora aplicou uma prova.

As questões eram escritas. Mas eu ainda não tinha aprendido a ler. Quando eu vi a prova com aquele monte de letrinhas extraterrestres, eu arregalei os olhos e a fúria me dominou. A única coisa que eu sabia escrever era “não sei”. Então, respondi tudo com “não sei”. Lá, os alunos já tinham aprendido a ler e escrever na pré-escola.

Isso resultou numa reunião entre eu, a professora, a diretora da escola e a do SOE e a minha mãe. Depois desse episódio amargo, eu entrei no ritmo dos outros naturalmente e mais rápido que o previsto. Por fim, todos viveram felizes pra sempre…

3 – 3 ———————————————–

Uma vez um sábio chinês sonhou que era uma borboleta. Quando acordou ficou na dúvida se era um homem que tinha sonhado que era uma borboleta ou se agora é uma borboleta que tá sonhando que é um homem.

Se, durante um episódio amargo, tu rabiscares algo e achares pura bobagem, não joga fora esse rabisco. Pois, pode ser útil depois para fortificar a mente.

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Paulo Ricardo Silveira Trainini