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O ID E O OTA

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O ID E O OTA

As sementes criativas surgem do confronto de opiniões diferentes ou até mesmo contrárias. Se a opinião de um pender para um lado, discordar e silenciar o outro, corre um sério risco de morrer por causa dela mesma.

Isso pode acontecer entre os meus próprios neurônios. Pois, eu mesmo posso inverter de opinião em contextos diferentes. Já comprovei isso inúmeras vezes através do isolamento de contextos.

Num determinado contexto, a realidade criada na minha consciência dita minhas opiniões e desejos. Aí, eu lembro da minha própria opinião em outro contexto e percebo a diferença e o porquê. Quando isso acontece, no contexto atual eu só me defendo dessa opinião diferente e sigo em frente. Essa defesa visa só dizer “NÃO” para as ações que claramente darão problema e logo depois faço o possível para não pisar em nenhuma das opiniões. Ou seja, um meio-termo.

Por exemplo, se eu penso “Eu acho que o certo é “id”, mas aquela opinião “ota” é completamente idiota, então… opa, isso dá música. Mas, se eu silenciar e esquecer completamente da “ota” antes do florescimento dessa semente criativa, a música não sai. Bah, que idiotice!”

Te jogo como boa parte dos suicídios são incentivados assim. Se essa defesa tiver que acabar com neurônios que insistem nessa ignorância, paciência.

Desde que eu iniciei a monitorar as visitas ao meu site, as mudanças que eu vejo no gráfico se comportam do mesmo jeito. Quanto mais eu disciplino meu cérebro para agir com essa frieza, mais suaves ficam as subidas e descidas.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

PRATICANTES

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PRATICANTES

Verdade que estou me divertindo com a preparação dessas publicações malucas do meu site. Mas o sufoco que eu passo para idealizá-las é enorme. As baterias dos meus músculos já estão na reserva, mas não consigo me conter. Virou compulsão.

As sementes criativas vivem nos neurônios mais profundos do inconsciente. A caça desses neurônios é arriscada, mas a beleza e o poder do produto final são bruxos.

O mundo real é uma confusão. Culturas diferentes, opiniões diferentes, conflitos… confundem a consciência. Mas a mistura de tudo isso precisa existir, pois é nesse caldo que as sementes criativas aparecem. E de maneira instantânea, como o reflexo num espelho.

Muitas vezes, um problema não pode ser resolvido de uma vez só. É preciso ignorar as partes menos prioritárias e tratá-las depois, antes que as sementes criativas morram.

A poção resultante dessa bruxaria resulta numa tendência clara, que dá poderes aos praticantes de magia branca. Essa poção sempre se renova.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

RENOVADO

Quase tudo servido
Só falta a sobremesa
Hum…
O sagu já tá lá

Depois desse banquete
Me serve um cafezinho
Uma coisa por vez
Prudente divisão

Primeiro a salada
Logo o prato quente
Em seguida a prosa
Bom trocar ideias

Mesmo o mais complicado
Um homem renovado
Volta ao mundo real
Enfrenta o principal

Paulo Ricardo Silveira Trainini



			

OBSTÁCULO

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OBSTÁCULO

Eu sigo as pegadas (orientações) dos meus especialistas, mas quem decide aproveitá-las ou não sou eu, não eles. Quem comanda essas decisões é o meu cérebro. Duvido que tenha outra maneira de superar satisfatoriamente problemas que o nosso conhecimento ainda não consegue resolver definitivamente. Sempre pensei assim.

Quanto mais eu reduzo o foco, mais eu ocupo a minha consciência só com ações óbvias e da maneira mais econômica possível. Quando a minha consciência mistura as suas ideias com outras, essas ações óbvias ficam claras.

Dessa forma, eu percebo que algumas ideias, apesar de serem racionalmente boas, serão inúteis ou redundantes no futuro. Essas e as possivelmente úteis no futuro, mas não óbvias, eu apenas ignoro, não luto contra.

Agir certo ignorando o incerto aumenta a tranquilidade da consciência. Essa tranquilidade reduz erros e indecisões. E isso aumenta progressivamente a coragem, a paciência e a resiliência.

A mistura de ideias não cria uma ideia nova, só a combinação. Isso funciona da mesma forma que a união de substâncias químicas. Só o inconsciente consegue combinar ideias, a consciência não. Mas só o consciente consegue misturar essas combinações para viabilizar o uso.

Para acontecer essa combinação de ideias, elas precisam se comunicar de forma assíncrona e passiva. Isso funciona da mesma forma que a comunicação de dados.

A mistura adequada de ideias combinadas supera qualquer obstáculo.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

SUTILEZA

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SUTILEZA

1 – 2 ———————————

O estopim para a criatividade é a novidade. Mas o que é novo hoje, virará padrão normal amanhã. Se essa novidade for aproveitada só para ser curtida, sem ser desafiada, o cérebro criativo registrará só coisas que amanhã serão padrões normais.

E o cérebro que funciona só através de padrões normais é um verdadeiro piloto automático. Aí, se algo não sair como o esperado, dá pane. Aposto que esse é o motivo pelo qual a maioria das pessoas altamente criativas ficam com a respiração rápida e ofegante, o que indica que estão próximas de uma pane.

Por isso, é crucial fugir como o diabo da cruz de manipulações, que incentivam só a curtição de novidades. Pois elas preconizam o esquecimento de fatos desafiadores e só o registro de novidades, transformando o cérebro em piloto automático.

2 – 2 ———————————

Quanto mais eu reduzo a amplitude do foco, mais sutis e mais numerosas são as novidades que eu percebo. Essa sutileza é algo como a semente de uma árvore. O tamanho e tempo de vida dessa árvore é inverso à amplitude do foco.

Experimenta abrir o refrigerador e mudar um ingrediente da receita original porque não tem. A medida que esse experimento vai se repetindo, o gosto final vai ficando cada vez mais parecido com o da receita original, mesmo com essa mudança desafiadora.

Naturalmente a amplitude do foco das etapas preparatórias vai se reduzindo, pois, o cérebro vai procurando mais desafios. Quanto maior for o número de desafios, maior é a certeza do tamanho dessa árvore.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

CORRE

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CORRE

1 – 2 ———————————

Quanto mais assustador é o imprevisto, mais rápido eu esqueço das memórias recentes. No caso de uma situação que é assustadora e perigosa, esse esquecimento é praticamente instantâneo. Nessa hora, eu não penso, só ajo para me defender do perigo. Todas as ações são automáticas. Até os palavrões são automáticos, comandados pelo inconsciente. A consciência fica completamente dopada.

Dentro das minhas rotinas periódicas, as atividades que melhor treinam o cérebro para executar essas ações da melhor forma possível são exercícios no estilo Pilates e me concentrar em alguma atividade doméstica, por exemplo lavar louça ouvindo o mantra Om Mani Padme Hum. Muito importante, o fácil acesso a um banheiro é necessário, pois o meu cérebro só consegue ficar tranquilo com essa garantia.

Para alimentar as reservas cognitivas, que comandam as ações automáticas, é fundamental fortalecer a consciência. Pois, é ela que gerencia a organização e catalogação dessas reservas. No entanto, nas horas de perigo, ela vira estátua.

A voz de comando das ações automáticas vem do inconsciente. Se as reservas cognitivas forem fracas, essas ações também serão, por mais forte que seja a consciência. Ou seja, só a aquisição de conhecimento não basta. Pois, em situações assustadoras, se as reservas cognitivas são fracas, corre.

2 – 2 ———————————

Na hora da situação de perigo, se eu tiver que lembrar das orientações de um professor para reagir da melhor forma, eu fico repetindo intermitentemente o que ele faria imediatamente e no próximo momento. E o meu cérebro decide como fazer isso da maneira mais econômica possível para conseguir ser rápido.

Se eu conseguir preencher toda a minha consciência com essas repetições, eu consigo pensar como ele (empatia). Para conseguir essa façanha, o foco tem que ser o mais reduzido possível. Cada repetição dificilmente passa de cinco coisas. E depois de acabar o tratamento da primeira dessas cinco, ela some e outra aparece. Isso é semelhante a um rolo de fita de um filme sendo reproduzido. Mas com uma diferença: essa fita pode rolar pro fim ou pro início.

Quanto mais forte for a minha consciência, menos tempo ela fica dopada. Então, para manter a liberdade do inconsciente, eu preciso aumentar a velocidade das trocas de contexto na mesma progressão que ela fica mais forte.

Talvez esteja por aqui a explicação do porquê o risco de padecer da doença de Alzheimer seja inversamente proporcional ao grau de educação.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

SEMPRE A MESMA

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SEMPRE A MESMA

1 – 5 ———————————

Se desejamos estabelecer de maneira rudimentar as condições do tempo em um certo lugar, pandorgas são úteis. É importante soltarmos alinhadas e presas por um fio com uma certa flexibilidade, pois isso enriquece a nossa avaliação. Além de observar as variações do alinhamento durante o voo, também é importante observar os movimentos frenéticos dos rabos de papéis.

Essa observação nos fornecerá, além das condições atuais do tempo, um ponto de referência nesse frenesi para projetarmos tendências futuras, permitindo um bom planejamento.

Imagina que a condição do tempo é análoga às visitas ao meu site. Cada vez que eu consulto a monitoração, eu olho pelo foco de uma pandorga. O fio que as une é a referência.

Sem essa referência, eu não publico nada. Mas durante esse tempo, eu não relaxo. Fico girando a roda da potência neurológica até pegar essa referência escapista, tirana…

Depois de capturá-la, eu elaboro, refino, publico e, finalmente, relaxo.

2 – 5 ———————————

Cada foco segue uma estratégia diferente. Alguns padrões são razoavelmente comportados, permitindo previsões. Mas apenas razoavelmente, não exatos.

Além de variarem de tempos em tempos e de maneira imprevisível, alguns padrões variam de forma caótica, não seguindo nenhum padrão conhecido, como um ataque epilético.

A repetição desses ataques epiléticos permite a identificação de um padrão desconhecido, que, analisado pela razão, alimenta o conhecimento, que poda cada vez melhor as ideias. Essa poda tem que visar a máxima exatidão e precisão dos estímulos visuais, sonoros… de cada foco. Ou seja, só o necessário, nem mais, nem menos.

3 – 5 ———————————

Comparando esse enriquecimento do nosso conhecimento com um montador de programas em linguagem assembly, uma poda é como se fosse uma camada.

Quanto mais forte fica o meu conhecimento, maior fica a minha paciência. Pois sei que quanto maior for o número de vezes que eu podo a árvore de ideias antes de usá-la em uma publicação, mais exata e precisa ela vai ficar.

Porém, o número de camadas de um Assembler é pré-definido. O número de podas da planta de ideias, não. Esse número depende da minha paciência, que muda permanentemente com o meu estado emocional. Às vezes, o limite da minha paciência é bem pequeno, hehe.

A flexibilidade da planta das ideias exigida pelas podas é como se fosse a flexibilidade do fio que une as pandorgas.

4 – 5 ———————————

A primeira deficiência que eu percebi na memória do meu cérebro foi o esquecimento das informações armazenadas em contextos anteriores (memória volátil). Cada informação é como se fosse uma coisa interessante percebida em uma pandorga.

Depois de isolar um contexto, eu facilmente percebia essas coisas, mas não lembrava na hora de elaborar, refinar e publicar algo. Depois de um tempo, eu me lembrava do que eu me esqueci e pensava “Bocaberta!”.

Aí, eu comecei a anotar em papel essas coisas, tirar da vista depois de anotar e pegar novamente na hora de elaborar a publicação. Pronto, esquecimento resolvido.

A tranquilidade que o meu cérebro ganhou com a estratégia das anotações aumentou gradualmente a capacidade do meu cérebro de esquecer e lembrar depois na hora certa sem a necessidade de anotar. Também, aumentou o limite da minha paciência.

5 – 5 ———————————

Quanto maior fica a minha paciência, maior é o número de vezes que eu podo a árvore de ideias antes da elaboração de uma publicação.

Quanto menor fica a necessidade de usar alguma memória externa para anotar as ideias, mais pandorgas dançam só no meu cérebro, que fica com o domínio completo da coreografia. Essa dança é imprevisível e caótica, mas algo me diz que a música é sempre a mesma.

Paulo Ricardo Silveira Trainini
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Ganesh Maha Mantra – Om Gam Ganapataye Namaha

O CEGO

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O CEGO

1 – 3 ——————————

Quando surgir uma situação de exceção (caos, imprevistos…), trata logo. Mas tratar não é a mesma coisa que resolver.

Se der para resolver, resolve. Mas se a situação de exceção impedir, apenas faz o que tem que ser feito pra livrar um dos pepinos do problema de ti mesmo depois. Não tenta resolver tudo nessa hora. Deixa para completar a solução num contexto futuro. Agir dessa forma é tratar.

Agir assim em situações perigosas exige coragem e disciplina. Quando eu estou muito angustiado, não consigo agir assim.

Livrar-se de pepinos assim, ativa a criatividade, resiliência e outras coisas, fortificando o consciente e o inconsciente.

Quem comanda esse tratamento é a razão. Mas cuidado! Quando ela se perguntar “Porque não tentar resolver tudo de uma vez só?” troca de contexto rapidamente, porque se ela tentar fazer isso, dá problema. Mas antes de trocar de contexto, registra suas palavras chaves, não esquece de fazer essa catalogação.

2 – 3 ——————————

Quando a minha consciência avista uma obviedade, completamente ignorada no inconsciente, eu deixo as ideias normais – inconscientes – invadirem o consciente. Antes disso, não.

Se eu não seguir essa disciplina, o meu cérebro não consegue alimentar o consciente na hora e da forma adequada para juntar um cardume de neurônios que se torne uma potência neurológica positiva.

É essa vista da obviedade que comanda o cardume. Por mais míope que possa parecer, está sempre certa. Todas as ideias normais devem segui-la cegamente.

3 – 3 ——————————

A divisão do meu cérebro entre o consciente e o inconsciente é como esse iceberg, inclusive a simetria inversa imperfeita. A sua parte imersa (inconsciente) possui uma certa simetria, ainda que imperfeita, com a parte emersa (consciente). Ela uma imagem bruxuleante da superfície.

Nada é fácil. As coisas que valem a pena, sempre são mais difíceis do que parecem inicialmente. Se a razão achar que é fácil resolver um problema que ninguém consegue, ela provavelmente está errada.

Nesse caso, divide ou abstrai a solução em suaves prestações. Essa disciplina funciona em mim de forma semelhante a um computador dedicado, que faz só determinado por quem o comanda.

Paulo Ricardo Silveira Trainini


O CEGO

Tem gente que não enxerga
Os muros do intelecto
Pouco liga para eles
Eu conheço um desses cegos
Ele que tome cuidado!
Algum dia
Ei de me aproveitar
Da sua sabedoria.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

SEM DIREÇÃO

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SEM DIREÇÃO

1 – 2 ———————————

O cérebro nunca pára, nem quando dormimos. Nessa hora, paramos de pensar só conscientemente. Mas, inconscientemente ele continua funcionando.

Além disso, ele consegue raciocinar só sobre uma coisa de cada vez, ou seja, não possui um paralelismo real. Porém, esse raciocínio é tão rápido que pode ser feito sobre várias coisas diferentes em tão pouco tempo, que parecem ser ao mesmo tempo. Mas essas coisas concorrem entre si para usar o mesmo “raciocinador”.

Quanto maior é o número de coisas que prestamos atenção ao mesmo tempo (foco amplo), menor é a capacidade do cérebro em prestar atenção sobre cada coisa. Quanto menor é o número dessas coisas (foco reduzido), maior é essa capacidade. Maior porque tudo o que não estiver dentro desse pequeno foco é tratado de forma automática, por reflexo condicionado, que não precisa usar o raciocínio.

O conhecimento baseado nas coisas do passado funciona como um upgrade do cérebro. Mas a capacidade desse upgrade tem limite. A alternativa para explorar ao máximo essa capacidade é prestar atenção em pessoas que pensam diferente e refletir esses pensamentos no nosso cérebro.

Mas, dentro de um foco, só conseguimos pensar de um jeito. Então, quanto maior o número de focos que assumimos, maior é essa capacidade.

Nas horas em que eu medito, eu páro de pensar conscientemente. Mas o inconsciente, que não usa o “raciocinador”, segue a mil por hora.

2 – 2 ———————————

Para assumirmos um foco diferente, precisamos tirar da consciência as coisas do foco atual, ou seja, esquecer todas essas coisas.

Mas, antes de esquecer, essas coisas precisam ser organizadas de forma que possam ser resgatadas depois. Pois, depois de serem esquecidas, elas seguirão uma correnteza sem direção.

Se uma dessas coisas fosse um livro a ser arquivado em uma biblioteca, essa organização seria uma catalogação. Sem ela, o livro não poderá ser mais achado. Trocando em miúdos, esse livro foi arquivado em um buraco negro.

Paulo Ricardo Silveira Trainini
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Legião Urbana – Será

TECIDO

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TECIDO

Sou que nem minha antiga gatinha, a Capitu. Quando a adotei, ela só  tinha seis meses de idade e ainda não tinha nome. A mãe sugeriu o nome de Capitu e eu achei o máximo. De comum acordo, a batizamos. Ela era a coisa mais querida: carente, curiosa e esperta que só.

Quando eu estava na sala de recuperação, depois da operação da minha perna espatifada, o cirurgião foi falar comigo e disse “Estou impressionado. Pois, eu só tinha operado fraturas tão graves quanto a tua em pacientes que sofreram acidentes bem mais impactantes, como queda de vários andares, acidentes automobilísticos e etc. Mas, o teu acidente foi apenas cair no chão de mal jeito. ”. A gravidade da minha fratura foi causada por uma osteoporose por desuso em uma das pernas.

Esse desuso foi causado pelo do meu problema neurológico.
Eu já tinha sido informado que a minha doença podia causar isso, mas não acreditava que a gravidade da coisa chegasse onde chegou. Se eu tivesse uma consciência corporal mais nítida, a chance disso acontecer seria muito menor.

Um dos melhores filmes que eu já vi se chama “M. O vampiro de Düsseldorf”. Se o assassino em série tivesse consciência da monstruosidade que dominava seu cérebro na hora dos crimes, a chance deles acontecerem seria muito menor.

Após o refresh da memória de trabalho, CAI FORA, os neurônios conscientes olham exclusivamente para o inconsciente e…. Finalmente, eu volto a ser gente e começo interagir com o mundo. Aí, a consciência só permite ações refinadas por essa lavagem cerebral.

Não sei o que rola nessa lavagem neuronal. O que resulta dela saem dos mesmos neurônios que já existiam, mas lavados, como roupas lavadas. Só que o tecido dessa roupa é feito de neurônios. Cada tipo de roupa tem um jeito de lavar. Mas a receita genérica é RECEITA.

Quanto menor for a proporção de neurônios racionais, mais difícil é a lavagem. E quanto maior é essa proporção, mais etapas de lavagem são necessárias antes do uso. Mas, cada uma dessas etapas é menos “dolorida”.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

ESTOURO

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ESTOURO

A família Prioridade da Silva sempre consegue lugares nas primeiras filas. São sempre os primeiros a reagirem ao espetáculo. Mesmo com menos nitidez, o pessoal da fila de traz é contagiado pelos da frente e a ola vai. Essa plateia é como uma manada. O agito de um pequeno grupo da frente, pode servir de estopim para um estouro.

Mesmo sem ver a apresentação com tanta nitidez, o pessoal das filas de traz é incentivado a reagir junto com os da frente, que faz a mesma propagação pros de trás. Se um estouro for comparado a uma dança entre a razão e o sentimento, apesar de cada um se mexer diferente, a música é a mesma. Bah, essa dupla é um estouro!

Quanto mais reduzido é o meu foco, mais na frente as ideias conseguem reservar ingressos. Na entrada, é um bando de gente falando em línguas diferentes. Mas no final da apresentação, todos falam a mesma língua, chamada Bah.

IMPORTANTÍSSIMO: antes desse pessoal entrar, limpa tudo, tira do caminho deles as coisas que eles devem ignorar, principalmente a poluição visual e auditiva desnecessária. Se for muito sacal fazer isso, azar. Pois, se não fizeres, eles vão embora antes de começar o show.

Bah é a língua oficial de uma civilização muito mais avançada que todas do nosso planeta. Essa língua tem somente duas palavras: “buh e bah”. Todas as frases são combinações dessas duas palavras. Para armazenar uma palavra no cérebro, basta um neurônio que assuma dois valores.

Para falar essa língua, não adianta só estudá-la. Também, além da prática, é necessário passar num teste estranho que é uma verdadeira batedeira. São sustos fantasmagóricos.

A estratégia das estratégias pra conseguir superar esses sustos, é ignorar efeitos específicos e usar somente o conhecido para limpar o caminho. Nessas horas, nada de invenções, só o trivial.

É fácil saber quando se está apto a conversar com o pessoal daquela civilização estranha. Quando sentires as mãos como se fossem as de um pianista e preferir tudo limpo, novo ou renovado, pronto. Já se está fluente.

Quando isso acontecer e somente nesse momento, olha e vê pra onde esse estouro vai. Mas não ataca, só olha, registra e volta pro estouro. Depois, esse alvo não ficará mais tão nítido. Aí, resgata suas coordenadas, cai fora e esquece de tudo, até mesmo que essa civilização existe.

Paulo Ricardo Silveira Trainini
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Como Uma Onda – Lulu Santos