Todos os posts de Paulo Ricardo Silveira Trainini

EMPANTURRAR

EMPANTURRAR

Imagina que as ideias que integram os meus posts são sustentadas por fios da teia de uma aranha.

Quanto mais curtos forem os fios entre uma conexão e outra, mais precisas são as ideias que eles carregam e próximas da ideia foco. Quanto mais longos, apesar de serem exatos, não possuem a mesma precisão e proximidade com a ideia foco.

Ainda, se eu não conseguir esquecer uma ideia (tirá-la da consciência) antes de resgatá-la (puxá-la pra consciência novamente), corto as extremidades desse fio chiclé e ele não fará mais parte da teia. Se eu deixar, esse conflito de ideias pode causar algum problema mental.

No tempo de faculdade, eu costumava estudar pras provas no dia anterior. Porque a minha consciência conseguia se empanturrar com a matéria estudada sem precisar esquecer de nada até a hora da prova. Depois da prova, eu puxava a descarga da consciência e toda a teia, empanturrada de informações, era esquecida num buraco negro do inconsciente.

E quanto mais próximo da hora da prova, mais o estudo conseguia empanturrar a teia sem deixar a consciência puxar a descarga.

Hoje, na primeira empanturrada da consciência, mando a teia inteira direto pro buraco negro.

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Cada vez mais, a minha consciência só admite armazenar ideias com maior precisão (conexões mais próximas). A exatidão vem do conhecimento, a precisão, do sentimento no momento.

Atirar com precisão sem exatidão é a mesma coisa que atirar no vazio. Ou seja, não adianta nada. Atirar com exatidão sem precisão é atirar no lugar certo, mas de olhos vendados: também não adianta nada.

Para não perder ideias sem precisão, mas exatas, eu uso e abuso de bloco de notas ou qualquer outro meio de armazenamento de informações externo. Aí, o resgate dessas ideias é garantido.

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A memória consciente é grande, mas não infinita. Se a consciência for empanturrada com mais informações que consegue registrar, transborda (overflow) e dá alguma pane no cérebro: crise de pânico, surto psicótico ou sei lá o quê mais.

Hoje, eu só permito que a minha consciência registre no inconsciente informações conectadas com outras. E não aquelas que carregam conhecimentos isolados, sem conexão com nenhuma outra. Assim, a memória fica parecendo uma teia de aranha.

Como os fios de uma teia, as informações estão conectadas com outras. São essas conexões que fazem resgatar memórias, não o que os fios carregam.

Aposto que, se, desde o nascimento, o cérebro registrar no inconsciente só informações que possuem conexões com outras, nunca deixará a consciência ser invadida por alguma das coisas fantasmagóricas que falei antes.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

SUAVIDADE

Também disponível em http://sustonosneuronios.org/2020/05/01/sem-crise/#comment-51237

Leitura em voz alta:

SUAVIDADE

Ao sentir a gravidez de uma ideia criativa, semelhante a se apaixonar sem motivo, não tenta adiantar o parto. Só cuida da tua saúde, mais nada.

Se adiantares o parto, nascerá uma ideia untada de merda. Aí, quem curtirá a ideia são os outros, mas quem a limpará és tu.

Ao invés de um parto marrom, deixa a ideia nascer ao natural. Aí, ela poderá ser desenvolvida por completo. Apenas limpa os estímulos visuais e aditivos do próximo contexto é segue o baile.

Imagina que esse sentimento é um passarinho arisco. Sentindo a suavidade proporcionada pela limpeza, ele virá de novo e mais maduro.

Durante essa limpeza, age como um robô. Não interage com ninguém, só age com o conhecimento adquirido antes. Depois tudo pronto, relaxa e troca umas palavras amigas com alguém, tentando suavizar as tensões desse alguém.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

AFUNDEM

Leitura em voz alta:

AFUNDEM

No meio de uma chuva de opiniões diferentes (mesmo as contrárias), eu procuro não silenciar nenhuma. Apenas tento abafar as que tentam silenciar outras. Nesse entrevero, eu me sinto o homem das cavernas dentro de um laboratório de informática.

A primeira grande estratégia de programação que eu aprendi na faculdade é conhecida como DIVIDIR O INIMIGO PARA CONQUISTAR. Eu a aprendi como sendo uma estratégia napoleônica. Desde então, eu atribuí a sua criação a Napoleão Bonaparte. Mas, recentemente, eu vi que eu estava enganado.

Napoleão foi apenas o primeiro grande nome da história moderna que a utilizou, mas o primeiro grande nome da história moderna que falou nessa estratégia foi Nicolau Maquiavel, em seu livro chamado “A Arte da Guerra”. Inclusive, Napoleão se inspirou nesse livro.

Nicolau Maquiavel também falou que essa estratégia já foi usada por generais da antiguidade. Então, sabe-se lá por quem e quando ela foi criada.

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Imagina que essa chuva de opiniões é uma chuva de meteoros. Quando eu tento abafar uma opinião que tenta intimidar ou silenciar outra é como uma tentativa de desviar o rumo de um meteoro que está se dirigindo à Terra. Essa tentativa de desvio não visa exterminar o meteoro, apenas fazer com que ele desvie o seu rumo de maneira que não destrua a Terra e nenhum outro planeta do sistema solar.

Eu já apliquei essa estratégia para ignorar as informações contrárias e irrelevantes ao presente, milhares de vezes. Tanto em programação quanto em redes de computadores (minha especialidade). Talvez uma boa classificação dessa estratégia seja a de ABSTRAÇÃO DE DADOS.

O máximo que eu permito a alguém com opinião diferente é apenas lamentar a ignorância da outra, mas não acabar com ela.

Não sofre por antecipação. Vive o presente e apenas planeja o futuro, não o vive. Nesse planejamento, apenas ignora as informações conflitantes, não extermina com elas. Exterminá-las não é ignorância, é estupidez. Aí, o mais provável é que os contrários se afundem.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

Presentation – PHAXE

SEM CRISE

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SEM CRISE

Flávia, antes do meu blablablá de sempre, meus parabéns pelo post A HORA E A VEZ. Além de ter sido muito bem escrito, dá para notar que foi idealizado, planejado e refinado com muito cuidado antes de publicá-lo. O resultado foi um texto gostoso de ler e rápido de absorver o conteúdo. Ao ler, senti o teu coração batendo e a força da tua formação.

“jogou luz ao essencial: a vida!”

Para escrever um texto assim, é preciso, além de um forte conhecimento, paciência de planejá-lo e refiná-lo com cuidado antes de publicá-lo. Sobretudo, é preciso um coração pulsando forte para infectar o texto com frases como essa acima entre aspas.

um beijo,
Palico

============ BLÁBLÁBLÁ =============

Nascemos com o cérebro pronto para sermos um quadrúpede. Só a partir dos primeiros passos, ele começa a pensar como um bípede.

Também, não faz muito tempo que a neurociência descobriu que o cérebro toma as suas decisões com base numa combinação nebulosa da razão com a emoção. Não apenas na razão, como se pensava antes. Aliás, a partir dessa descoberta, o teste de QI não é mais válido para medir a inteligência, pois ele mede só a capacidade racional de alguém, desconsiderando completamente a capacidade emocional.

Hoje, a própria neurociência admite que não é capaz de medir com precisão a inteligência de ninguém. Ainda, segundo o que li num livro escrito por um neurocientista respeitadíssimo, a genialidade vem da genética.

Bem, eu decidi acreditar que quando nascemos, decidimos com base na emoção combinada apenas com as bruxarias feitas pela nossa carga genética, pois o nosso conhecimento é zero.

Claro que o conhecimento é fundamental. Sem ele, o geniosinho vira um idiota. Mas, se o aspirante a gênio virar um PhD e ignorar a emoção, também virará um idiota.

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Se o teu conhecimento não te disser nada, apenas ouve e planeja o próximo papo considerando o que sentiste durante o papo anterior. Isso o fará ver com mais nitidez o que será, ou não será, respondido no próximo papo.

Isso achata a busca, tornando-a cada vez mais suave, menos perigosa e mais precisa. Se não entender nada no primeiro papo, relaxa. Apenas pesca as ideias principais, planeja o próximo papo com base nessas ideias e segue em frente. O que pode parecer não ter solução, te jogo que tem, sem crise.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

BOIANDO

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BOIANDO

Imaginas um queijo suíço. Quanto mais queijo mais buracos. Quanto mais buracos menos queijo. Entāo, quanto mais queijo menos queijo.

Procurar respostas onde a fonte de respostas secou é óbvio que acaba em decepçāo. Só depois de uma manada de decepções, é que eu me dei conta disso.

Porém, secar a fonte de respostas nāo quer dizer que elas sumiram pra sempre. Mas sim, que a consciência nāo é capaz de achá-las. Se a inconsciência for consultada, jogo todas as minhas fichas como ela responderá. E mais, essa resposta virá de māo beijada, sem a necessidade de perguntar nada. É só uma questāo de jogar verde pra colher maduro.

Já me aconteceu diversas vezes de eu nāo conseguir entender nada do que o professor estava ensinando em aula. Eu boiava total.

Das primeiras vezes, eu jogava as culpas na dificuldade de atençāo, burrice, desinteresse e etc. Nāo era nada disso. Era que a minha consciência estava cheia demais para absorver mais informaçāo. Depois de descobrir isso, eu resolvi o problema com um truque:

Boiando? Inverte o raciocínio, ao invés de correr atrás de respostas, corre atrás de perguntas. As perguntas, mesmo que idiotas, visavam apenas aprender o que nāo estudar em casa. Bastava aprender o que nāo estudar e estudar só o indicado pelas respostas das perguntas idiotas.

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Imaginas que tu estás boiando no meio de um rio que acaba numa queda d’água Se te apavorares e nadar desesperadamente na direçāo contrária até cansar, vais gastar rapidamente as reservas energéticas e… Foi muito bom termos nos conhecido.

Se, ao invés disso, observares os objetos próximos que nāo se movem e possíveis de serem alcançados, nada até um deles. Descansa e repete o processo até que um deles alcance a margem. Agir assim exige sangue frio. Mas é muito mais provável que consigas fugir da queda.

Agora, imaginas que cair na queda d’água é a mesma coisa que tirar zero na prova. E que nadar contra é a mesma coisa que chutar as respostas.

A razāo é viciada em buscar respostas. O coraçāo, sei lá…

Paulo Ricardo Silveira Trainini

O tempo nāo pára – CAZUZA

BOM DIA, CANECA

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BOM DIA, CANECA

Todas as minhas ideias foco, as que encabeçam os meus posts, nasceram em situações muito próximas de abismos. Esses abismos ficam a beira do rio da loucura. Ao chegar lá, eu passava por situações fantasmagóricas, tipo surtos psicóticos, crises de pânico, crises de depressāo e outros.

Já visitei esses abismos diversas vezes, mas eu nunca mergulhei nesse rio. Quando eu chegava na margem, os fantasmas iam embora e eu respirava aliviado. Aí, eu me alimentava, tomava um cafezinho e só observava o fluxo do rio, sem mergulhar (sem divulgar nada).

Faz alguns anos que essas situações fantasmagóricas nāo me atormentam. Tomara que nunca mais voltem. Porém, ainda que com bem menos frequência, eu continuo visitando esses abismos.

Quase sempre, o que antecedia essas situações fantasmagóricas que eu falei eram conversas com objetos inanimados. Tipo a conversa que o Jô Soares (gênio!) teve com uma caneca. Ele contou que um dia olhou pra uma caneca e disse “Bom dia, caneca.” e a caneca respondeu “Bom dia, Jô”.

Se tu perceberes a proximidade de uma situaçāo fantasmagórica, anota em papel o que foi observado logo antes (rabisco rápido, sem nenhum refinamento), tira-o da vista e limpa a memória de trabalho. Eu faço essa limpeza através da MEDITAÇĀO PLENA 1.

Mas, se tu já és orientado por um médico, segue as orientações dele e ignora a minha sugestāo.

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Agradeço aos céus por ter tido uma ótima educaçāo e estar sendo muito bem orientado por médicos. Senāo, eu já tinha me atirado no rio da loucura.

As coisas que me fazem nāo me atirar sāo comandadas pela razāo. As coisas que me fazem observar o rio sāo comandadas pelo coraçāo.

A minha razāo e o meu coraçāo vivem brigando, mas nunca se separam. Apenas respeitam essa inversāo de comando sempre.

Diga-se de passagem, quando eu falo “meu coraçāo”, eu falo apenas de forma poética, pois tudo que sentimos vem do cérebro, nāo do coraçāo. O coraçāo nāo passa de uma pobre vítima do que rola no cérebro.

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Imagina que essas coisas racionais formam um metrônomo, as coisas sentimentais fazem a observaçāo dos movimentos loucos do fluxo do rio.

Sem um metrônomo, os músicos de uma banda se perdem, por mais experientes e introsados . Mas se ignorarem o coraçāo, a criatividade some e a música fica uma porcaria. Só restará a loucura.

Os fantasmas que me empurraram pro rio da loucura usaram de todos os seus artifícios para me fazer mergulhar. Geralmente, eles poluíam a minha consciência de informações confusas até o transbordamento.

Esse transportamento causava as situações fantasmagóricas que eu falei antes. Ele é análogo a um problema de segurança da informaçāo chamado “buffer overflow”. Esse é o nome de uma das principais táticas usadas por hackers para quebrar a segurança de um sistema e invadir.

A soluçāo de tudo é, pasmem, nāo um meio termo entre a razāo e o coraçāo, mas a convivência harmônica dos dois, mantendo-os íntegras nas suas essências. Ou seja, só misturá-los, nāo combiná-los.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

DO VIRTUAL PRO REAL

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DO VIRTUAL PRO REAL

O pânico faz parte do meu passado, felizmente. Durante uma crise, o medo dominava totalmente a minha consciência e a minha razāo só obedecia o medo.

Se, antes de uma crise, o cérebro nāo se munir de armas para controlá-la, nāo vai ser durante uma que ela conseguirá isso, pois o medo ficará “jogando areia nos olhos da razāo” sem parar e me mandando fugir rápido, como se estivesse sendo perseguido por um assassino. Nada real,  pura mania de perseguiçāo.

Fora o teu conhecimento, as únicas armas que conseguem fazer esse controle sāo medicações. Mas eu nunca lancei māo delas para esse fim. Só usei o meu conhecimento.

Durante uma crise, eu usava essas armas racionais apenas de maneira indireta, deixando a consciência decidir apenas quando acioná-las. Mas depois de acionadas, o comando sai das māos da consciência e vai todo pro meu conhecimento adquirido antes.


Por exemplo, quando a frequência das falas dos monstros que me causavam muito medo (monstros imaginários) diminuía, significava que a crise estava se aproximando de uma porta de saída. A partir daí, como eu aprendi antes, eu mandava todo a ar inspirado, o mais lento que eu conseguia, pra barriga e nada pro pulmāo. Expirava o mais devagar possível, fazendo um barulho de ronco, afundando o umbigo.

Isso fazia com que todo o corpo relaxasse, como uma gelatina descansando. Dessa forma, o corpo consegue focar essa porta.


Hoje, apesar de nāo conseguir me lembrar do que eu sentia durante uma crise de pânico, consigo lembrar dessas minhas armas racionais. Eu tenho a nítida impressāo de que eu teria tido um ataque cardíaco caso nāo tivesse essas armas.

Essas armas carregam soluções virtuais que só se tornarāo reais depois de acionadas e executadas. Ou seja, a soluçāo de problemas catastróficos pode parecer impossível para o medo, mesmo que na realidade sejam simples.

O medo é importante para nos alertar de um possível perigo, mas nunca deixa o medo dominar a tua consciência. Pois, o medo esconde completamente essas portas de saída.

Te concentra na respiraçāo e espera diminuir a frequência das manifestações dos montros. A diminuiçāo da frequência das falas dos monstros, é igual ao mergulho de um surfista no mar, sendo que as falas correspondem as ondas e o surfista, a tua consciência. As irregularidades, regularidades, frequência das ondas…  tô achando que é tudo igual.

Quando estiveres na última arrebentaçāo, limpa o máximo que puderes o campo visual e o auditivo.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

 

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COVID LOUCO – (paródia de Cachorro louco – TNT)

Nada que já nāo foi vivido
Até ficamos sem pāo
Passa fácil só com um espirro
Parece perseguiçāo

COVID LOUCO
COVID LOUCO

Era um vírus muito sensível
Propaga em qualquer lugar
Mas pra piorar o cenário
O medo vai dominar.

COVID LOUCO
COVID LOUCO

Diziam que ele mata
Usa a razāāāo
É só cabeça fria
Pensa nisso todo dia
aaaaaaaa

Paulo Ricardo Silveira Trainini – PRST

COCOZINHO CRIATIVO

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COCOZINHO CRIATIVO

Logo depois que eu fiz a faxina pesada no meu cérebro (desintoxicaçāo da memória), comecei a perceber algumas falhas que eu cometia antes. E o que é pior, eu nāo achava que eram falhas. Jogava todas as culpas na má sorte e na maldade dos outros, que quase sempre nāo existia.

Antes da desintoxicaçāo, eu captava informações vindas de estímulos externos (auditivos, visuais e etc), julgava-as e rapidamente reagia. Depois de alguns segundos ou poucos minutos, eu esquecia completamente de tudo.

Esse esquecimento era uma espécie de “varrer pra baixo do tapete”, que significa tirar da consciência sem nenhum tipo de tratamento. Imagina que abaixo do tapete fica o inconsciente. Esquecer assim de fatos violentos transforma o cérebro num pessoa violenta. Esse tratamento que falei é exclusivamente racional. Aqui, quanto mais conhecimento e experiência, melhor.

Antes da desintoxicaçāo, os meus julgamentos eram feitos apenas por instinto, sem qualquer relacionamento com as informações anteriores.

Aí, eu fiz a minha primeira mudança de comportamento. Apesar de continuar captando e julgando rapidamente, eu procurava nāo reagir na hora. Deixava para decidir como reagir depois, considerando o que foi registrado agora.

Antes, eu era convicto que postergar as minhas reações assim era uma idiotice. E que reagir na hora era o melhor, como nāo tirar o pé do acelerador nunca.

Depois de algumas vezes que eu agi assim, ficou claro que eu cometia erros pré-históricos e nāo percebia isso. Queres um exemplo? Imagina que alguém está te contrariando. Se tu reagires na hora, o que vai acontecer? Te jogo como vai dar merda. E se a merda se espalhar, vai pintar aquela vontadezinha de se jogar num precipício.

Essa mudança de comportamento que falei foi apenas a primeira que eu fiz. Mas teve várias outras, eu sempre deixei o próprio inconsciente decidir quando fazer. Depois desse sinal verde, a consciência decide como fazer. Se eu deixasse que o meu conhecimento e experiência dominasse o volante, ia dar merda de novo.

Depois da desintoxicação, esse erro ficou óbvio. Eu fico pasmo como cometemos essa idiotice desde que éramos macacos e, além do morro de merda ficar cada vez maior, ele continua sorridente.

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Para desintoxicar o cérebro, procura quem tem conhecimento e experiência nisso. Mas antes, faz isso que vou te dizer, que já é suficiente para perceber essa idiotice:

Ao sentir algo forte durante um programa de televisāo e nāo entender o porquê desse sentimento, desenha algo bem simples relacionado com esse sentimento. Logo depois, tira o papel da vista e continua prestando atençāo no programa. Depois de algumas horas, pega esse papel e relaciona o seu significado com a tua bagagem racional. Te jogo como perceberás duas coisas: uma idiotice e um cocozinho criativo.

Paulo Ricardo Silveira Trainini


CATRACA

CATRACA

Imagina um motorista dirigindo na chuva durante a madrugada em uma estrada sinistra. O motorista reduz a velocidade e oscila o foco dos faróis de perto pra longe.

Foco pra perto representa captar informações com precisão. Foco pra longe representa captar informações sem precisão.

Informações precisas permitem ações imediatas. Informações imprecisas nāo. Mas, apesar de nāo permitirem ações imediatas, as informações imprecisas sāo absolutamente necessárias para planejar ações futuras. Sem esse planejamento, é fracasso na certa.

O meu cérebro pensa assim desde que eu me conheço por gente. Essa oscilaçāo é totalmente irregular e imprevisível. Sobretudo porque depende dos resultados das ações presentes, tanto das minhas quanto dos outros.

Mas, assim como um carro atravessando um terreno perigoso, o enfrentamento dessas situações sinistras reduzem gradativamente o medo presente e consequentemente o perigo futuro.

Interessante que essa reduçāo acontece mesmo que os prováveis obstáculos futuros permaneçam igualmente irregulares e imprevisíveis.

Imagina que a parte esticada da fita dessa catraca contenham as informações conscientes. E que a parte nāo esticada da fita contenham as informações inconscientes.

Depois de usar tantas vezes essa catraca, problemas que mais pareciam dragões alados furiosos ficaram parecendo passarinhos brincando numa torneira. Agora, imagina que a fita seja o cérebro.

O caminho do futuro é um só. Mas ele nāo está pronto. Pois depende, entre outras coisas, do presente.

Paulo Ricardo Silveira Trainini


PROGRESSÃO ACELERADA

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O medo não é real. O perigo é.

PROGRESSÃO ACELERADA

O problema do vazamento de dados de um sistema sempre pode ser resolvido com a sintonia perfeita entre o homem e a tecnologia.

Imagina que o homem é um cavaleiro montando um potro redomão. E que eles precisam atravessar um terreno ultra perigoso em apenas três dias portando dados que não podem ser vazados. O potro é o cérebro do cavaleiro.

Se a tecnologia diz que não consegue fazer isso em apenas três dias, logo no amanhecer do terceiro dia, estará feito. Ainda, dará de brinde um potro domado.

Reuniões diárias, noites mal dormidas, hackers, veja bem…

Veja bem, o caramba!

Na hora que um amigo meu desabafa coisas que causam medo de um futuro negro, olho bem no olho dele e presto bem atenção no que ele diz.

Quando ele plantar uma flor de medo, interrompo e falo só o mínimo suficiente para amenizar o seu sofrimento presente, mais nada.

E mais, deixo claro pra ele que eu prestei bem atenção no que ele disse e que eu não menosprezei o seu medo. Mas também, deixo claro que repetições que considerem os resultados das repetições anteriores do uso da mesma estratégia diminuem o perigo futuro em progressão acelerada.

Medo do medo, o caramba!

Paulo Ricardo Silveira Trainini


AS VISTAS DE UM MARAGATO

Horor, o caramba!

Estou mais animado que um fandango
Com aquela história,
Que, se não me falha a memória,
Conta, as vistas de um maragato,
Brabo feito porco do mato,
A vida de um certo chimango.

Diz ele que, segundo Lautério,
Tinha lá um guri à toa e tinhoso.
Não imagina como era medroso.
Parecia uma moça assustada
Se via uma faca apontada,
Conta Lautério, sem o menor critério.

Era um tramanzote de marca maior.
Por sorte, ganhou proteção
De um figurão.
Ainda, se não erro,
Foi eleito à testa de ferro.
Vestiu a guaiaca e fez cara de major.

O figurão era valente.
Resolvia as coisas no laço.
Ainda por cima era ricaço.
Escolheu, com toda a ciência,
Por sua obediência,
O pau mandado prá gritar na frente.

Antes de guardar os esporões,
O patrão foi falando
Que ia continuar mandando,
Decidindo o rumo da estância,
Não abrindo mão da sua importância,
Apesar de deixar o guaipeca ordenar os peões.

Os ensinamentos que recebeu
Do seu protetor,
Olhando de fora, parecem um horror.
Eram maquiavélicos,
Mas munidos de poderes bélicos.
E, mesmo que um bocó, nunca mais esqueceu.

Logo que o velho morreu,
O maturrango, seguindo sua natureza,
Que prá bons princípios, podem ter certeza,
Não dá a menor importância,
Se apoderou da estância
Só aplicando o que aprendeu.

Paulo Ricardo Silveira Trainini