VAMBORA

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VAMBORA

Durante os anos 80, eu morei no bairro Higienópolis. Nessa época, pratiquei atletismo na SOGIPA. Eu era um dos atletas da equipe. O meu treinador era o Arataca e o atual treinador, Leonardo Ribas, também era um dos atletas que faziam parte dessa equipe. A especialidade dele era 800 metros rasos.

A irmã do Leonardo, Núbia, também fazia parte da equipe e tinha a mesma idade que eu. Volta e meia, treinávamos juntos. Todos me chamavam de Paulinho. Se pedires referências minhas lá, certamente encontrarás.

Os alicerces mais fortes do meu cérebro são formados por plantas nascidas nessa equipe. Essas plantas foram cultivadas não só no esporte, mas no convívio social que eu tive no clube (festas, churrascos, atividades complementares em outros esportes e etc). O meu primeiro beijo foi lá 🙂

Quando eu estava concentrado, treinando ou competindo, todos os meus colegas de equipe gritavam “Vambora, Paulinhooooo” e eu não inventava nada nem ingeria nada além de água. Apenas aplicava o treinado e só. Nessas horas, se surgisse algum imprevisto, eu apenas ajustava cortando movimentos, não inventando nada. Depois, esquecia e seguia o baile.

Ainda, se surgisse alguma ideia, eu só anotava ou memorizava, mas não fazia nada em função dela. Só depois resgatava essas memórias, as refinava e incluía nos treinos.

Já morei em muitos lugares diferentes, inclusive em estados diferentes. No tempo que eu morei no bairro Higienópolis, estudei em duas escolas: Plácido de Castro e Daltro Filho.

No início da exploração dos meus neurônios, por volta de 2012, as ideias que me caíam na cabeça eram grandes e egoístas (não aceitavam complementos, só correções). Depois, elas foram ficando menores e mais altruístas (aceitavam complementos, não só correções). Em resumo, elas foram adquirindo espírito de equipe.

As minhas ideias estão ficando cada vez mais parecidas com a natureza primitiva. Hoje, a medicina encara o cérebro como um músculo. Aposto que a relação entre músculo e cérebro é muito maior do que se imagina hoje.

Me sinto mais poderoso agora, mas muito mais exigido da paciência, resiliência e resignação.

Toda vez que quiseres plantar ideias na tua cabeça, faz os neurônios darem um trote (corrida leve) e os tranquiliza dessa forma:

1) elimina os estímulos visuais desnecessários para o momento;

2) elimina os estímulos auditivos desnecessários para o momento;

3) divide o inimigo (divide o desafio) para poder dominá-lo aos poucos em suaves prestações.

Aplica hoje só a primeira tática. Importante: não deixa pra amanhã, faz hoje mesmo. Durante o jantar, desliga as luzes diretas e, no lugar, liga luzes indiretas. Por hoje é só.

Não compra nada. Só usa o que tiveres em casa, mesmo que seja algo improvisado. Só investe noutra tática, amanhã ou depois. Mas, só faz isso depois de sentires algum ganho na tranquilidade. Antes, não!

Se repetires essa tática várias vezes, as luzes indiretas se transformarão em uma luz estroboscópica. Quando isso acontecer, publica algo e vai pra festa.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

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