MOLA

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MOLA

Segundo o neurocientista Ivan Izquierdo, a genialidade é uma característica genética, afirmação essa feita no seu livro “A Arte de Esquecer”. Certamente essa afirmação tem uma forte base científica. Bom, hoje, eu tenho minhas dúvidas.

Não na veracidade dessa afirmação, mas na capacidade que a ciência tem de afirmar isso. Pois, a partir da segunda fase do desenvolvimento dos meus neurônios, os ganhos ficaram tão surpreendentes que duvido que a ciência seja capaz de fazer essa afirmação.

Na minha opinião, o potencial do desenvolvimento do cérebro – em especial as habilidades não providas pelo estudo, como criatividade, intuição e outras – não pode ser mensurado e duvido que algum dia possa.

Os ganhos neurológicos que eu consegui na exploração dos meus neurônios são tão grandes que aposto que qualquer um consegue ser um gênio se fizer uma boa exploração, mesmo que a sua genética não seja premiada com a genialidade.

Eu raciocino sobre os neurônios como sendo equivalentes a palavras da memória de um computador. Além de armazenar dados, essas palavras se comunicam com outras palavras. Não sei se essa comparação é a melhor. Mas, até agora, ela é satisfatória para raciocinar sobre as minhas descobertas. Porém, tenha em mente que as decisões do cérebro não são tomadas só pela razão, mas também com a participação da emoção.

O desenvolvimento do meu cérebro pode ser dividido em duas partes. Chamo a primeira parte de desintoxicação dos neurônios. A segunda, de exploração dos neurônios. Como os meus neurônios estavam cheios de vícios (noitadas, alimentação errada, descanso errado…) precisei fazer uma faxina completa nos meus neurônios antes de explorá-los. Essa foi a primeira parte, ela é análoga à desintoxicação de um drogado.

As mudanças que eu estimulava (variações, desafios e novidades), sofridas pelos meus neurônios, eram bem mais doloridas que hoje, muito mais! Nessa fase, eu tive verdadeiras crises de pânico. Visões de monstros, medo de morrer e outros divertimentos na mesma linha.

Apesar de serem muito menos doloridos, os resultados que eu obtive depois da desintoxicação são muito maiores e continua aumentando. Verdade que a frequência da chegada desses resultados tá cada vez menor. E essa progressão continua.

Imagina que o conhecimento adquirido com o estudo formal sustenta as coisas complementares: criatividade, intuição, empatia e etc. Tipo uma mola em espiral, que consegue se sustentar em pé mesmo que o topo faça movimentos loucos porque o diâmetro da base é bem maior. A base dessa mola é como se fosse o conhecimento, o topo, as outras coisas.

Antes de iniciar a treinar o meu cérebro, só estudando e trabalhando da maneira tradicional, o meu cérebro era uma mola só com argolas de diâmetro pequeno. Durante a primeira fase desse meu treino (desintoxicação do cérebro), o meu cérebro desenvolveu algumas argolas mais largas.

Nas fases seguintes, aconteceu algo diferente do que eu imaginava. Ao invés de continuar crescendo, a mola parou de crescer e se multiplicou. Ou seja, o meu cérebro não ficou como uma mola enorme, mas como diversas molas apenas sendo cada uma um tanto maior que a primeira. Bom, pelo que percebi até agora, essa descrição figurada do desenvolvimento que o meu cérebro sofreu é perfeita em todos os aspectos correspondentes.

Se um reles maloqueiro qualquer, louco de atar, resolver encarar uma exploração dos neurônios como essa minha, conseguirá desenvolver uma inteligência, resiliência e capacidade de superação tão surpreendentes que poderá ser chamado de gênio, pelo menos de acordo com as referências atuais.

Quando eu disse que a primeira fase é a mais difícil, eu me referi a fase que eu tive crises de pânico. No mesmo livro que disse que a genialidade é uma característica genética, eu li que a primeira fase do tratamento dos neurônios é análoga à desintoxicação de um drogado.

Cheguei muito próximo de um colapso do cérebro. Pensei até que não tinha outra coisa a não ser esperar esse colapso. Mas daí, o meu cérebro fez algo impressionante: ao invés de aumentar a mola de tamanho, elas se multiplicaram. Aí, eu me afastei desse colapso e o desenvolvimento não parou, até ficou bem maior.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

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