ALÍVIOS

A consciência
é a imaginação quem cria

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ALÍVIOS

Quanto menor for a probabilidade de acontecer o óbvio, menos óbvio fica o óbvio. Óbvio…

Se o mais provável é que uma coisa terrível aconteça e que só é uma questão de tempo para que ela chegue, o melhor não é encarar essa coisa no presente, pois isso é sofrer por antecipação.

O melhor é se concentrar em planejar e fazer o que tem que ser feito para diminuir a probabilidade de acontecer essa coisa terrível, encarando só coisas nítidas, mesmo que sejam partes muito pequenas do todo.

Quanto menor for a invasão dessa probabilidade terrível na consciência, menos ela inferniza o cérebro no presente.

Essa foto é uma boa representação figurada de como eu enfrentei as crises de pânico que eu tive um tempo depois de eu voltar do hospital que eu operei a perna espatifada.

Eu não olhava para o fim do túnel nem para as paredes. Apenas respirava, me concentrava em me equilibrar e dar o próximo passo sem cair, que iriam me deixar alguns centímetros mais próximo do fim do túnel.

Agora, imagina que eu era essa pessoa caminhando nos trilhos e as paredes do túnel eram infestadas de monstros que me causavam pânico.

Durante a concentração, eu apenas imaginava a luz do fim do túnel, mas não o que tinha lá. Como um pescador que apenas isca o anzol, mas não sabe que peixe vai pegar nem quando.

Essa imaginação nocauteava o sofrimento presente. Mas não tentava viver o final do sofrimento no presente. No presente, apenas me preocupava em não ser nocauteado nos próximos passos.

De tempos em tempos, eu relaxava, me alimentava, dormia e … sei lá o que viria depois.

Quem comanda a caminhada é a razão e o sentimento assume patentes inferiores. Na imaginação, as patentes se invertem: quem comanda a imaginação é o sentimento e a razão assume patentes inferiores.

A comunicação entre diferentes patentes é assíncrona, não síncrona. Nessa comunicação, usa e abusa de blocos de notas.

Se essa comunicação for síncrona, dá pesadelos. Eu falo sobre esses pesadelos em outros posts. Se quiseres consultá-los, escreve “pesadelos” no campo “pesquisa” e pressiona ENTER.

Depois de alguns anos, notei uma série de coisas nesses túneis: melhora do meu equilíbrio, aumento da frequência dos passos, repetição de padrões e muitas outras coisas.

Hoje, eu já entendi que a felicidade não é chegar no fim do túnel. Mas curtir esses alívios intermediários e seguir sempre em frente, fazendo o que tem que ser feito. Aliás, se o fim do túnel chegar, o que virá depois?

Paulo Ricardo Silveira Trainini

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