PODA

“E haverá um rio, haverá uma ponte, haverá um encontro. Ainda que não houver. ”
Rubem Penz

Leitura em voz alta automática:

PODA

Há poucas décadas, a neurociência descobriu que as decisões do cérebro não são tomadas só pela razão, como se imaginava, mas pela razão com a participação das emoções. Por isso, o teste de QI não é mais usado para medir a inteligência, uma vez que ele mede só a capacidade racional do cérebro.

Para reforçar essa descoberta, constatou-se que as pessoas mais inteligentes do mundo não são as de QI mais alto.

Não se sabe como acontece a participação das emoções nas decisões. Bom, a prática me disse que essa participação é muito menor que a da razão. No meu caso, ela dificilmente passa de cinco por cento. Mas ela sempre carrega a ideia foco das minhas publicações. Sem ela, eu não publico nada. A ideia foco deste post foi a frase do Rubem (embaixo da figura acima), que eu li no seu livro “Hoje não vou falar de amor”.

Essa ideia foco carrega a criatividade, a coragem, a tranquilidade e todas as outras coisas deficientes no puro conhecimento.

A prática me disse também que quanto maior for a participação do conhecimento, maior é o espaço para a manifestação das emoções. Ou seja, quanto maior for o conhecimento, melhor. Mas, por maior que seja, o conhecimento não pode desconsiderar essa participação, senão dá alguma pane no cérebro.

Em outra oportunidade, fiquei sabendo que a taxa de pessoas entre os grandes nomes da história que são acompanhadas de algum problema psiquiátrico – em especial depressão – é muito mais alta do que entre pessoas comuns.

Aposto que todas essas informações têm alguma relação lógica. Mas, seja qual for, a progressão é apenas exata, não precisa, tipo a distribuição normal.

Quando focares em algo, não esquece de esquecer o resto. Senão, não conseguirás atender plenamente nem uma coisa nem outra. Além disso, correrás um sério risco de entrar em overflow (entrada de informação na consciência maior que a capacidade). Se acontecer isso, trava tudo: músculo, raciocínio, prudência, lucidez…: pane geral.

A maioria das pessoas se acha capaz de raciocinar sobre mais de uma coisa ao mesmo tempo. Errado. O cérebro só consegue raciocinar sobre uma coisa de cada vez. O aparente paralelismo é apenas uma multitarefa, que concorre o mesmo “raciocinador”.

Se a atenção ficar dividida em mais de uma coisa ao mesmo tempo, todos os recursos do cérebro também serão divididos. Isso trará um déficit de atenção. Se essa divisão exceder a capacidade: overflow.

Figura extraída de http://sustonosneuronios.org/ -> SITES BÁSICOS -> G1 -> COMENTÁRIOS -> FOCAR NO PRESENTE

No caso de o cérebro receber várias requisições ao mesmo tempo, o melhor é focar numa só coisa de cada vez. Focar não é a mesma coisa que simplesmente mudar a atenção. Mudar de foco é, além de mudar a atenção para outra coisa, esquecer completamente da coisa atual. Verdade que seguir a risca essa disciplina dá um frio na barriga, porque esse esquecimento pode parecer definitivo. Mas se o cérebro estiver bem treinado, não.

Quem se aventurar a seguir essa disciplina, vai perceber nitidamente que a tranquilidade invade o cérebro instantaneamente depois de um esquecimento saudável.

Se essa mudança de foco for bem executada, o cérebro pode perceber que uma simples poda neuronal seja suficiente para visualizar uma solução que parecia não existir.

Outra informação que suspeito estar relacionada com tudo isso é que a época em que mais se perde neurônios é até os dois anos de idade.

Aliás, nascemos com o cérebro pronto para ser um quadrúpede. Mas, quando aprendemos a andar, toda a parte do cérebro responsável pela motricidade se adapta para ser bípede.

Muitas vezes, focar em algo, não simplesmente mudar a atenção, mas também apagar da consciência o contexto atual, nos faz perceber soluções que pareciam não existir. Eu já passei por isso incontáveis vezes.

Se quiseres culpar algo por essa mágica, joga as culpas na mecânica quântica. Ela mais parece bruxaria.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

2 ideias sobre “PODA

  1. Acho o raciocinio geral correto.
    Porém penso que as pedras no rio para atravessá-lo são:
    Percepcão
    Interesse (foco)
    Ação
    Monitoração da ação
    Conferir
    Finalizar o processo
    Se for de interesse memorizar os passos principais

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