TIPO ESPECÍFICO

Leitura em voz alta automática:

TIPO ESPECÍFICO

Quando eu tinha sete anos, fui morar em Brasília – DF. Logo que eu cheguei, a mãe me matriculou numa escola (primeiro ano). Assim que eu iniciei, a professora aplicou uma prova. Os enunciados das questões eram escritos, mas eu ainda não tinha aprendido a ler. A fúria me dominou. Respondi todas as questões com a única coisa que eu sabia “desenhar” na língua portuguesa: “não sei”. O resultado foi uma reunião entre a minha mãe, a professora, a diretora, a orientadora do SOE e eu para discutirmos como resolver a questão.

Depois, não demorou para eu aprender a ler “no tranco” e naturalmente seguir o ritmo da turma. Duvido que eu conseguiria isso se a fúria não tivesse me dominado na hora da prova. Aposto que essa fúria serviu para revestir as fibras nervosas do meu cérebro com um tipo específico de bainha de mielina chamada SUPERAÇÃO.

Eu raciocino sobre o cérebro como se ele fosse uma rede de computadores mesmo sabendo que esse raciocínio é apenas uma aproximação da realidade. Onde os neurônios correspondem a nodos dessa rede e as conexões entre os neurônios (sinapses) correspondem a conexões lógicas entre os nodos. Uma conexão física comporta o tráfego de várias conexões lógicas ao mesmo tempo. Também, os dados e os aplicativos que os processam possuem relações semelhantes.

A relação que eu faço entre a realidade e a sua representação racional é análoga a relação entre uma conexão contínua e a sua representação discreta. Aumentar o detalhamento da representação racional da realidade é a mesma coisa que aumentar o detalhamento da representação discreta de uma conexão contínua.

Quando a área focada está muito poluída visualmente, auditivamente, olfativamente e etc, aumentar essa área focada para que ela comporte a poluição sem que atrapalhe a atenção funciona apenas temporariamente. Pois, com isso, a poluição tende a aumentar e esse aumento da área focada tem limite. O melhor é despoluir a área ao invés de aumentá-la. Ou, se não for possível despoluir, ignorar a poluição e focar só no que interessa (abstrair).

Existem algumas táticas que me ajudam a abstrair. As mais eficientes são: fazer silêncio e prestar atenção só na respiração.

O cérebro é o único órgão do corpo humano que se desenvolve a vida inteira. Essa capacidade do cérebro é análoga à capacidade que uma rede de computadores tem de criar novos nodos e conexões em virtude de falhas e novas necessidades. Um bom nome para essa capacidade seria SUPERAÇÃO.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *