TRUQUE

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Leitura em voz alta automática:

 

 

TRUQUE

 

1 de 4 ——————————————————–

 

Quando o meu cérebro é surpreendido, o meu foco se reduz num piscar de olhos. Aí, as prioridades, antes nebulosas, ficam claras. Essa clarividência acontece porque o tratamento da surpresa, que é a prioridade, toma toda a minha atenção.

 

Imagina que a amplitude do foco corresponda ao calibre de um cateter. Quanto menor for o seu calibre (foco reduzido), mais incisiva e precisa é a penetração. Assim, as prioridades ficam muito mais claras.

 

Se a surpresa acontecer em um ambiente hostil, quanto maior for o conhecimento armazenado nos neurônios inconscientes (fora do foco), menos perigoso fica o tratamento dessa surpresa. Pois, eles serão acionados automaticamente quando forem necessários.

 

2 de 4 ——————————————————–

 

Por exemplo, se a surpresa for avistar um enxame de abelhas se aproximando, a prioridade é dar no pé para se salvar. E dar no pé sem ocupar o cérebro raciocinando, apenas coordenando as partes do corpo responsáveis por ensebar as canelas.

 

Nessa hora, se o cérebro cair na tentação de raciocinar, perde o foco em se salvar. Se o cérebro concluir que ficar onde está e acabar com o enxame é a melhor opção, decide comandar a defesa assim. Mas se o enxame for maior que o previsto inicialmente, vai acabar em problema.

 

Mesmo que o corpo gaste muita energia fugindo, a garantia do salvamento é maior.

 

É nesse silêncio do raciocínio que surgem as melhores sementes criativas. Eu sinto claramente esse surgimento. Porém, quando surgem, faço questão de deixá-las encubadas e escondidas da minha razão. Para conseguir isso, eu direciono toda a minha atenção para o próximo passo.

 

3 de 4 ——————————————————–

 

Eu só trato as sementes de criatividade logo depois que eu limpo totalmente a memória de trabalho. Eu só consigo fazer isso uma vez por dia e dificilmente dura mais do que uma hora. Fora desse período, eu disciplino o meu cérebro para ignorá-las.

 

É fácil perceber o limite entre a memória de trabalho suja e limpa: logo após a limpeza da memória de trabalho, eu consigo ouvir a minha própria respiração e o movimento das mãos parecem ser de pianista. Quando algum desses sinais não forem mais percebidos, a memória de trabalho não está mais limpa.

 

Essa percepção é como se fosse uma pessoa míope colocando óculos no grau certo. Depois de colocá-los, ela olha novamente para as mesmas coisas e percebe com bem mais nitidez detalhes que antes eram imperceptíveis por causa da miopia.

 

Quando eu consigo fazer uma faxina completa na consciência, a memória de trabalho funciona só como um periférico de entrada. Enviando direto, sem nenhum tipo de julgamento, todas as informações captadas para o inconsciente. Como se todos os estímulos externos fossem propagandas subliminares e todas as minhas reações são automáticas.

 

4 de 4 ——————————————————–

 

O que me impede totalmente de fazer essa faxina na memória de trabalho é algum vivente chamar a minha atenção, mesmo que só com um olhar.

 

O truque que eu uso para evitar raciocinar sobre o percebido logo depois da limpeza da memória de trabalho é ilustrar (sem escrever nada) o que foi percebido e rapidamente tirar da vista e prestar a atenção no próximo passo.

 

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Paulo Ricardo Silveira Trainini

 

 

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