SEMPRE A MESMA

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SEMPRE A MESMA

1 – 5 ———————————

Se desejamos estabelecer de maneira rudimentar as condições do tempo em um certo lugar, pandorgas são úteis. É importante soltarmos alinhadas e presas por um fio com uma certa flexibilidade, pois isso enriquece a nossa avaliação. Além de observar as variações do alinhamento durante o voo, também é importante observar os movimentos frenéticos dos rabos de papéis.

Essa observação nos fornecerá, além das condições atuais do tempo, um ponto de referência nesse frenesi para projetarmos tendências futuras, permitindo um bom planejamento.

Imagina que a condição do tempo é análoga às visitas ao meu site. Cada vez que eu consulto a monitoração, eu olho pelo foco de uma pandorga. O fio que as une é a referência.

Sem essa referência, eu não publico nada. Mas durante esse tempo, eu não relaxo. Fico girando a roda da potência neurológica até pegar essa referência escapista, tirana…

Depois de capturá-la, eu elaboro, refino, publico e, finalmente, relaxo.

2 – 5 ———————————

Cada foco segue uma estratégia diferente. Alguns padrões são razoavelmente comportados, permitindo previsões. Mas apenas razoavelmente, não exatos.

Além de variarem de tempos em tempos e de maneira imprevisível, alguns padrões variam de forma caótica, não seguindo nenhum padrão conhecido, como um ataque epilético.

A repetição desses ataques epiléticos permite a identificação de um padrão desconhecido, que, analisado pela razão, alimenta o conhecimento, que poda cada vez melhor as ideias. Essa poda tem que visar a máxima exatidão e precisão dos estímulos visuais, sonoros… de cada foco. Ou seja, só o necessário, nem mais, nem menos.

3 – 5 ———————————

Comparando esse enriquecimento do nosso conhecimento com um montador de programas em linguagem assembly, uma poda é como se fosse uma camada.

Quanto mais forte fica o meu conhecimento, maior fica a minha paciência. Pois sei que quanto maior for o número de vezes que eu podo a árvore de ideias antes de usá-la em uma publicação, mais exata e precisa ela vai ficar.

Porém, o número de camadas de um Assembler é pré-definido. O número de podas da planta de ideias, não. Esse número depende da minha paciência, que muda permanentemente com o meu estado emocional. Às vezes, o limite da minha paciência é bem pequeno, hehe.

A flexibilidade da planta das ideias exigida pelas podas é como se fosse a flexibilidade do fio que une as pandorgas.

4 – 5 ———————————

A primeira deficiência que eu percebi na memória do meu cérebro foi o esquecimento das informações armazenadas em contextos anteriores (memória volátil). Cada informação é como se fosse uma coisa interessante percebida em uma pandorga.

Depois de isolar um contexto, eu facilmente percebia essas coisas, mas não lembrava na hora de elaborar, refinar e publicar algo. Depois de um tempo, eu me lembrava do que eu me esqueci e pensava “Bocaberta!”.

Aí, eu comecei a anotar em papel essas coisas, tirar da vista depois de anotar e pegar novamente na hora de elaborar a publicação. Pronto, esquecimento resolvido.

A tranquilidade que o meu cérebro ganhou com a estratégia das anotações aumentou gradualmente a capacidade do meu cérebro de esquecer e lembrar depois na hora certa sem a necessidade de anotar. Também, aumentou o limite da minha paciência.

5 – 5 ———————————

Quanto maior fica a minha paciência, maior é o número de vezes que eu podo a árvore de ideias antes da elaboração de uma publicação.

Quanto menor fica a necessidade de usar alguma memória externa para anotar as ideias, mais pandorgas dançam só no meu cérebro, que fica com o domínio completo da coreografia. Essa dança é imprevisível e caótica, mas algo me diz que a música é sempre a mesma.

Paulo Ricardo Silveira Trainini
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Ganesh Maha Mantra – Om Gam Ganapataye Namaha

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