ADIANTE

A criatividade é algo não estável, fugidio, gasoso (etéreo). Mira na ação, na invenção, no tempo futuro. Depois de cristalizado, o ato criativo ruma paulatinamente para a tradição. E o homem criativo estará vendo adiante (para o desconhecido, para o não feito)

– RUBEM PENZ –

Leitura em voz alta automática:

ADIANTE

As mensagens enviadas do meu inconsciente para o consciente são através de uma comunicação assíncrona e passiva. Ou seja, elas ficam latentes e só são enviadas para o consciente quando este solicita. Depois de recebê-las, a consciência decide o que deve ser feito.

Quanto mais eu treino a minha razão, estudando e interagindo com pessoas diferentes, mais forte fica a minha consciência.

Conhecer e inferir sobre toda a nossa bagagem de conhecimento desenvolvida em miliares de anos é absolutamente fundamental para a nossa sobrevivência. Além dessa bagagem, a nossa sobrevivência depende também da criatividade. A criatividade e o conhecimento se completam, como um casal que se ama.

Sem a estabilidade, os materiais certos, as distâncias certas, as comunicações certas e todos os recursos tecnológicos que desenvolvemos, já teríamos sidos extintos há muito tempo. Mas, para a criatividade continuar no time, toda essa bagagem não pode cometer o erro de ignorá-la.
Sempre que a minha consciência encontra o seu limite, se encolhe. Esse encolhimento é uma poda das comunicações síncronas, deixando toda a minha bagagem racional em estado de hibernação.

Quando ela entra nesse estado, ela não age por conta própria. Só entra em funcionamento por mensagens de comando vindas de fora. Ou seja, só “ouve o mundo” e se manifesta somente através de reflexos condicionados, sem a menor inferência. É como uma pessoa dormindo sem entrar no estado REM nunca. Só no REM se sonha.

Imagina que o mundo é um rio. Esse rio é completamente limpo e transparente. Encolher a consciência é ignorar tudo ao redor e prestar atenção só no rio. Ou seja, em nada além dele.
Quando me acontece algo totalmente inesperado e impactante (situação de perigo extremo, admiração de uma obra de arte e etc) , esse encolhimento acontece.

Nesse estado de encolhimento, eu só tomo alguma atitude comandado pelo reflexo desse rio, como um jogador de defesa, que só age no ataque adversário.

Quanto menos transparente for o rio, menos eu consigo enxergar esses comandos. Aí, os neurônios hibernando nesse rio escuro ficam inertes e à deriva pra sempre.

A razão não é transparente, ela é composta de coisas bem sólidas (matemática, física…). Se ela tomar conta de todo o rio, ele tapa todas as transparências, sem refletir nada.

Quem passa por essas situações extremas entra em hibernação. Mas essa criatividade precisa estar casada com a razão e viverem em harmonia para que ideias criativas possam ser refletidas. Pois, se o rio que hibernarem for totalmente sólido, elas ficam inertes e à deriva pra sempre.

Quando eu espatifei a minha perna e depois de algumas horas notei que o vermelhão que surgiu na hora começou a se alastrar rapidamente, eu entrei nesse estado de hibernação. Prontamente me levaram para o hospital.

Essa metralhadora poderosa da foto acima (pino que botaram na minha perna) é a imagem de uma radiografia que eu fiz uns dias depois da minha operação.

 

DAR O BOTE

Essa foto é do Central Park de NY, batida na primavera de 1997. Eu estava caminhado por lá e, de repente, me deparei com esse espetáculo. Quando eu vi essa cena, esse encolhimento aconteceu. Num instante, peguei a máquina e “click”. Depois de voltar para o velho pago, revelei-la. Paralisei quando a vi, de tão bela.

Quem me enviou os comandos que escolheram a posição, instante e etc, foi o inconsciente. Nessa hora, anjos desceram do céu, o céu ficou todo estrelado e…

Pra mim, Deus não é nenhuma entidade. O universo tem uma sabedoria que é, no mínimo, algumas bilhões de vezes maior que qualquer entidade. Aliás, se tu tens alguma dúvida disso, te perguntas: “Faz sentido a nossa sabedoria ter limite?”

Quando te deparares com uma metralhadora daquelas, usa todo o teu poderio racional para te defender, não atacar. Apenas livra o teu caminho das impurezas. Se escapar um detalhe por descuido, apenas te chama de bocaberta e deixa essa bocabertice para ser resolvida pela consciência. Aí, só espera amanhã. A criatividade verá coisas que a razão não vê, por mais forte que ela seja. Pode ter certeza disso.

Não podemos falar com Deus, só o ouvir. Mas, enquanto a consciência age com suas armas racionais poderosas, essa sabedoria universal espera a vez dela bem escondidinha num canto. Essa tirana só aparece para atazanar tudo.

Paulo Ricardo Silveira Trainini

4 ideias sobre “ADIANTE

  1. ACABOU NÃO SENDO

    “Vendo-se perdido em alguma floresta, não se deve errar, volteando ora prum lado ora pro outro, nem mesmo deter-se num sítio. Mas deve-se seguir um caminho o mais reto possível e não mudar de lado por fracas razões. Mesmo que só o acaso haja determinado a sua escolha.

    Pois por este meio, se não vá exatamente aonde se deseja,
    pelo menos chegar-se-á a alguma parte,
    onde certamente estar-se-á melhor que perdido no meio da floresta.”

    – René Descartes

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    Quando eu me sinto confuso e encurralado, eu procuro trocar logo de contexto, mesmo sem resolver nada. Mas mesmo que só pelas bordas, dou trabalho pro cérebro, não o deixo inerte.

    Mas, essa troca de contexto não é a mesma coisa que sair fisicamente da confusão. É apenas reduzir o foco.

    Quem não me conhece bem, nem nota essa troca. Mas quem me conhece, provavelmente nota através da alteração súbita do meu olhar, voz e etc.

    Pode até culpar a espiritualidade, mas essa alteração não tem nada a ver com religião, é apenas em virtude da redução de foco.

    Essa alteração é totalmente dependente da confusão. Tipo os movimentos doidos de um gás dentro de um recipiente fechado sendo chacoalhado.

    Esses movimentos doidos, representa os meus neurônios registrando as palavras-chaves, esquecendo-as e “continuando a dançar a mesma música da confusão”.

    Em contextos futuros, eu lembro dessas palavras-chaves e logo me cai o resto das memórias associados a ela. Na pedagogia, o nome dessa técnica de memorizção é “memória associativa”. Mas no meu caso, ela não se resume à memorização. Ela está diretamente ligada à criatividade.

    Quanto mais profundos estão os neurônios inconscientes que guardam esse restante das memórias associadas às palavras-chaves, mais imprevisíveis e criativas são as alterações que sofrem. Aí, na hora do resgate desse restante, a criatividade brota.

    Quando René Descartes diz “certamente estar-se-á melhor que perdido no meio da floresta.”, o culpado dessa melhora é o resgate dessas memórias restantes associadas às palavras-chaves.

    Se, antes de nos depararmos com os terríveis quebra-molas da nossa história (guerras, doenças…) tivéssemos soluções pra tudo, hoje seríamos apenas poeira cósmica. Pois, se esse resgate não nos ajudasse a criar novos remédios corajosos e inovadores para enfrentar esses males, o futuro do passado não existiria.

    Se, o futuro do pretérito fosse o que acabou sendo no passado, ele não seria o que é hoje. Mas, acabou não sendo, ufa!

    – Avicii – Levels (Instrumental Version) –

    https://www.youtube.com/watch?v=vizHTz9tTO0

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    Paulo Ricardo Silveira Trainini

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