ÚLTIMO HOUND

“Ser criativo não é ser livre, é livrar-se”

(Rubem Penz)

Leitura em voz alta automática:

ÚLTIMO HOUND

Quando eu esbarro com um problema gigante, eu precisarei rachá-lo em várias partes, enfrentar cada parte em contextos diferentes e depois concatenar os ganhos. Esse concatenamento não é exatamente uma soma, mas um aproveitamento parcial dos ganhos. É assim que eu aplico a tática da Divisão e Conquista em meus contextos.

Imaginas que esses contextos são árvores. Na repetição seguinte, eu repito somente as atividades dos galhos mais altos e os demais eu mudo algumas coisas, de acordo com a roda da potência neurológica. Aí, eu descubro otimizações que me dão outros ganhos, que crescem numa progressão maior que a direta. Se é logarítmica ou exponencial ou sei lá. Mas, uma coisa é certa: é maior que a direta, mutável e imprevisível. Isso lembra a mecânica quântica.

Quando as otimizações chegam a um limite, a única maneira de melhorar é criar algo diferente. Criar algo diferente não mostra um erro, pois ele não existe. Mas sim, abre uma porta escondida para criar algo novo que melhore.

Se a lâmpada que ilumina a criatividade tiver a cor amarela, ela só ascenderá se forem misturadas as cores vermelho e verde. Fundamental: esquecer a cor amarela durante essa mistura. Esse esquecimento lembra a mecânica quântica.

Imaginas que cada contexto é de uma cor. Quem se libertar de todos os problemas através de muito poder aquisitivo ou algum outro tipo de suporte pessoal similar, conseguirá ascender uma lâmpada de uma única cor só. Ou seja, paradoxalmente, o processo criativo só dispara quando as otimizações racionalmente exploradas esgotam. Aí, a criatividade entra em ação, desafiando esses limites.

Eu interpretei o que o Rubem disse como “ser livre” é libertar-se de todos os problemas, entre eles, o de criar algo novo. E “livrar-se” é reaproveitar alguns ganhos parciais terminados satisfatoriamente, permitindo, assim, que sejam repetidos e resultarem em criatividade. Por isso que eu só troco de contexto só depois de finalizar satisfatoriamente alguns, não todos, problemas abraçados.

E satisfatoriamente não é necessariamente vencer, mas enfrentar até o final, não fugir antes. Esse enfrentamento pode ser uma vitória ou não, mas o enfrentamento tem uma forte preparação para ir até o último hound.

Quanto mais particionado for o problema, mais eu aplico a máxima “o que não tem solução, solucionado está”. Na prática, isso é mandar para o inconsciente o que não tem solução e encarar como solucionado o que não tiver solução imediata.

Isso diminui o medo e aumenta a transgressão criativa. Mas diminui a participação da razão. Então, esse particionamento precisa ser intercalado: ora maior ora menor, na medida certa.

Quando o cérebro quer algo e não recebe, ele aumenta a sensação de medo. Esse é o problema maior do apego. Como ele faz isso? Não sei…

Paulo Ricardo Silveira Trainini

 

Rock Balboa, música tema do filme:

 

 

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