RECEITA

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RECEITA

É que eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí. Na verdade, é um segredo que eu guardo.

É uma revelação que eu não posso sair dizendo por aí. Que eu tenho medo que as pessoas se desequilibrem de si. Que elas caiam delas mesmas quando eu disser.

Eu descobri que o neurônio não sabe o que diz. Um neurônio é um bêbado.

Um neurônio diz qualquer coisa. A verdade é que um neurônio, nele mesmo, em si próprio, não diz nada.

Quem diz é o protocolo de comunicação estabelecido entre o neurônio que envia a informação e o que recebe.

Quando existe um protocolo de comunicação, existe comunicação.
Quando esse protocolo se quebra, pendura tudo.

Mesmo usando os mesmos neurônios.

Um neurônio é uma roupa que a informação veste.
Uns usam neurônios curtos.

Outros usam neurônios em excesso.
Existe os que jogam neurônios fora.

Pior são os que usam em desalinho.
Uns usam neurônios caros.

Poucos ostentam neurônios raros.

Tem quem nunca troca.
Tem quem usa dos outros.

A maioria não sabe que neurônios possuem.
Alguns sabem, mas fingem que não.

E tem os que nunca usam os neurônios certos pro contexto.

Tem os que se ajeitam bem com poucos neurônios.

Outros misturam neurônios demais.
Tem gente que estraga todos os neurônios que usa.

E você?
Quais neurônios você tem na cabeça?
E aí, eu fiz uma receita.
Se o neurônio é uma roupa.
Falei, mas o neurônio tá sujo demais?
Agente usa os mesmos neurônios o tempo inteiro.
Os neurônios estão engordurados.

Então, eu falei: “Receita para lavar neurônio sujo”.

BELEZA 2

Mergulhar um neurônio sujo em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio-dia.

Alguns neurônios, quando alvejados ao sol.

Adquirem consistência de certeza.
Por exemplo, o neurônio “vida”. Existem outros.

E o neurônio “amor” é um deles.
Que são muito encardidos e desgastados pelo uso.
O que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra.

Depois, enxaguar em água corrente.

São poucos os que resistem a esses cuidados.
Mas existem aqueles, dizem que limão e sal tira sujeira difícil.

Mas toda a tentativa de lavar o neurônio “piedade” foi sempre em vão. Mas eu nunca vi tão sujo como o neurônio “perda, perda e “morte”. Na medida em que são alvejados, soltam um líquido corrosivo. Que atende pelo nome de amargura.

Que é capaz de esvaziar o vigor do cérebro. O aconselhado nesse caso é mantê-los de molho num amaciante de boa qualidade.

Agora, se o que você quer é somente aliviar os neurônios do uso diário, você pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.

Perigo! Misturar neurônios que mancham no contato uns com os outros. O neurônio “culpa” mancha tudo que encontra. O neurônio “culpa” deve ser sempre alvejado sozinho.

Outra mistura pouco aconselhada é do neurônio “criatividade” com o “razão”.
“razão” é um neurônio intenso, quase agressivo.

E pode, o que não é inevitável, romper a força delicada dos dendritos do neurônio “criatividade”.

O neurônio “força” cai bem em qualquer mistura.
É importante não lavar demais os neurônios.

Sob o risco de suas informações perderem o sentido.

Aquela sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor às conexões.

Muito importante na arte de lavar neurônios é saber reconhecer um neurônio limpo.

Conviva com o neurônio durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos.

Que passeie pela expressão dos seus contextos.

À noite, permita que se deite.
Não ao seu lado, mas dentro do seu corpo.
Enquanto você dorme.

O neurônio, plantado em sua carne.
Prolifera em toda a sua possibilidade.
Se você puder suportar essa convivência.
Até não mais lembrar da presença dele.

Aí, você tem um neurônio limpo.

Um neurônio limpo é um neurônio útil para o refinamentoJ.

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Paulo Ricardo Silveira Trainini

Eu não inventei nada.

Apenas filtrei o discurso da poetisa Viviane Mosé chamado “Receita para lavar palavra suja”.

Abstraí a relação das palavras com os neurônios e percebi um paralelismo perfeito.

Aí, eu filtrei e troquei as palavras para o assunto “neurônios”, tipo um servidor proxy. Eu não criei informação.

Apenas botei os óculos certos em cada neurônio para cada contexto.

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Caro amigo neurônio Jota,

Por que resolveste aparecer só na hora do refinamento e ainda roubar uma conexão na primeira fila?

RECEITA 3

Paulo Ricardo Silveira Trainini

8 ideias sobre “RECEITA

  1. MUDAR CONSTANTEMENTE AS NOSSAS ROTINAS
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    Durante toda a nossa vida, diariamente milhões de neurônios morrem. A quantidade maior é até os dois anos de idade.

    Imagina que as conexões neurológicas são fios de luz. Se um fio de luz receber uma carga elétrica muito forte, dá curto circuito. Acho que a relação carga elétrica X susto nos neurônios é exata.

    Os sustos acontecem quando o cérebro recebe alguma informação inesperada (variação, desafio e novidade). Quando chegamos a fase adulta com a roda da potência neurológica deformada, ficamos zumbi.

    Um zumbi não se assusta, só quer satisfazer o seu desejo imediato e mais nada. Uma criança sem alma é um zumbi.

    Gordura saturada e açúcar refinado são os ingredientes alimentares que mais matam neurônios. As propagandas são riquíssimas nesses tipos de ingredientes. Porque isso chama mais a atenção, mas as custas do zumbizamento dos consumidores.

    A informação que um zumbi recebe precisa estar cheia de açúcar refinado e gordura saturada (sexo, violência, fdptisses, comidas refinadas…) para chamar a atenção.

    Desde criança, temos que mudar constantemente as nossas rotinas para deformarmos o menos possível a nossa roda e fugir do zumbizamento.

    Quem tem cérebro de zumbi, faz isso: https://www.youtube.com/watch?v=lhbHTjMLN5c/

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    Paulo Ricardo Silveira Trainini

  2. CHEGOU A HORA!

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    Mais ou menos um mês depois que eu comecei a praticar meditação, as ideias começaram a ficar nititdamente mais fortes. Ainda que de maneira irracional, a relação dessas ideias com a meditação era clara. Depois de perceber essa relação, eu notei que ela andava na cola da oscilação dos batimentos cardíacos e da respiração.

    Depois de perceber essas coisas, eu baixei a cabeça e montei racionalmente um esqueleto do registro dessas ideias. Para montar esse esqueleto, tomei como base os métodos de desenvolvimento de sistemas de computador (divisão e conquista, abstração de dados, orientação a objetos, encapsulamento, etc). Dentre eles, sempre foram fundamentais a divisão e conquista e a abstração de dados.

    O primeiro esqueleto, era uma imagem representando a ideia foco e outras ideias debaixo dessa imagem. Aí, quando me caía uma ideia, eu pegava esse papel e anotava debaixo da imagem. Depois, tirava esse papel da vista e só pegava novamente para anotar outra ideia. Quando ele tava razoavelmente cheio, eu refinava e publicava.

    Com o passar do tempo, as ideias foram diminuindo e ficando mais confusas e desconexas. Às vezes, as ideias eram apenas a indicação do coração de que depois de alguns minutos ia cair uma ideia. E a confusão continuou aumentando sem parar.

    Desde um mês pra cá, mais ou menos, a coisa ficou tão confusa que eu apenas sinto que uma ideia de uma ideia irá cair sei lá quando e que talvez eu consiga racionalizar o seu significado para registrar. E registrar só no inconsciente (sem anotar externamente), para deixar o inconsciente decidir quando, se e como resgatar a ideia. Tem vezes que depois de toda essa confusão, a ideia resgatada é “prepara um chimarrão”. Esse tirano de inconsciente tem lá registrada a ideia original, mas fez questão de o consciente não lembrar.

    Ainda bem que eu acredito em Deus. Aposto que essa doidura é do Darth Vader. Com todo o respeito, se depois de toda aquela doidura, a ideia for racionalmente ilógica, tipo essa, eu olho pra ela e digo “Cara ideia, vai pra PQP”.

    Mas, apesar de toda essa confusão, uma coisa é sempre igual: tem uma ideia que me diz “Chegou a hora!”. Quando essa ideia cai, eu evoco o que eu consigo dos registros, jogo na máquina de lavar, refino e mando bala.

    Receita para lavar palavra suja – VIVIANE MOSÉ

    https://www.youtube.com/watch?v=QslBxWXR6ZQ

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    Paulo Ricardo Silveira Trainini

  3. Pingback: TECIDO – SUSTO NOS NEURÔNIOS

  4. Pingback: writeessay

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